Ações da Natura (NTCO3) derretem e fecham entre as piores do dia após mercado repudiar venda da Aesop

Ações da Natura estiveram entre as piores do pregão nesta quarta (5)

A Natura (NTCO3) esteve entre as piores ações desta quarta (5) na bolsa de São Paulo, com queda de 9% no final do pregão no valor das ações em relação ao fechamento anterior. A queda acontece após o mercado se manifestar contra a venda da Aesop.

O mercado pedia uma reestruturação da companhia em busca de uma redução no endividamento, mas a opção pela Aesop foi um tiro no pé, avaliam os analistas.

“Nós consideramos que a venda da melhor marca do grupo foi um erro estratégico — por um lado, desalavancou o balanço do grupo; por outro, a marca de maior crescimento e rentabilidade não fará mais parte da companhia. Ganhou-se o curto prazo em detrimento do longo prazo”, afirma Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research.

Benefícios fiscais

A analista destaca também outros motivos para o mau momento da empresa. “A discussão de retirada de benefícios fiscais está pesando sobre o varejo e o consumo como um todo. Esse é um setor que se beneficia bastante de programas especiais de tributação, reduções de impostos que acabam compondo boa parte do lucro”, acrescenta.  

“A possibilidade de o governo rever estes benefícios pesa para o setor como um todo, ainda mais para quem sobrará com operações de menor margem”, conclui.

Futuro em dúvida

Para Fabiano Vaz, sócio e analista de ações da Nord Research, a venda da Aesop vem gerando dúvidas sobre o futuro da Natura, embora ele concorde que uma venda seria importante para ajudar a reduzir o endividamento.

“Vender a The Body Shop ou alguma parte da Avon seria o mais indicado, mas seria muito difícil, ao contrário da Aesop, que tem margens bem elevadas e com crescimento interessante, o que tornou a venda mais fácil”, avalia Vaz. “Agora, a Natura vai ter que comprovar a capacidade de focar na Avon e também, em menor medida, na The Body Shop”, completa.  

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