Como montar uma planilha de gastos e começar a investir? Veja 7 passos para se organizar

Em tempos de inflação e juros altos, controlar gastos é essencial

Existem inúmeras planilhas de controle de gastos pessoais disponíveis na internet e até mesmo aplicativos que ajudam a gerenciar as finanças. Mas se você não encontrou uma forma de controlar seus gastos adequado às suas necessidades, nada impede que você crie a sua própria ferramenta para tomar as rédeas do seu orçamento.

Para isso, a planejadora financeira certificada pela Planejar Florence Corrêa aponta que existem muitas opções na internet. “Mas geralmente elas contêm um monte de despesas que podem não fazer parte da vida da pessoa.”

Como escolher a ferramenta certa

Anotar gastos já é uma tarefa difícil, que exige tempo e dedicação.

Porém, caso a ferramenta não tenha uma interface amistosa, pode impedir que esse hábito seja criado, completa Corrêa.

“O controle das despesas precisa ser inserido no dia a dia como um exercício físico. Para quem não tem habilidade com Excel ou planilhas do Google, é possível criar uma em uma folha de papel ou usar um antigo caderno de contabilidade”.

Veja abaixo o passo a passo para criar uma planilha de gastos:

1. Insira todos os meses do ano

Primeiramente, ao criar uma planilha, prefira inserir todos os meses do ano em um mesmo quadro.

Dessa forma, será possível planejar as despesas do ano que sabemos que tem data para acontecer, como IPVA, IPTU, matrícula escolar.

Além disso, caso em determinado mês sobre algum dinheiro, é possível guardá-lo para pagar as despesas adicionais futuras.

“Os americanos pensam em renda anual, e não mensal. Nós, brasileiros, somos muito apegados à renda do mês. Isso dificulta o planejamento”, diz Corrêa.

2. Agrupe os tipos de despesas

Todavia, é recomendado agrupar as despesas, de forma a identificar facilmente os gastos fixos e variáveis.

Também é necessário saber o quanto se gasta com moradia, alimentação, transporte, saúde, filhos, pais dependentes e até animais de estimação.

Isso porque é importante dividir as despesas essenciais das supérfluas em cada grupo.

“Por exemplo, é necessário dividir o valor necessário para a alimentação básica e quanto se gasta com delivery, que é um dos buracos negros das finanças. Dessa forma, caso seja necessário rever custos, não será difícil saber o que cortar”, diz Corrêa.

Por isso, uma maneira fácil de identificar os tipos de gastos é usar cores.

“Na montagem da planilha você pode usar uma cor para gastos essenciais que você não pode viver sem, outra para gastos que não gostaria de abdicar e outra para despesas que pode abdicar, caso necessário”.

3. Estabeleça limites para gastos que não têm valor fixo

Agora, veja: viagens e passeios com os filhos nas férias e presentes de Natal podem ter até mês para acontecer, mas não valores fixos, como os boletos de IPTU, IPVA e matrícula escolar.

Logo, para essas despesas, é recomendado colocar limites, que podem inclusive ser inseridos na planilha no mês correspondente.

“Se o gasto anual é um determinado valor, e chegou nas férias de julho esse valor já foi inteiramente gasto, nas férias de dezembro não será mais possível gastá-lo. Outro caminho é rever despesas no semestre para que a viagem de fim de ano possa ser realizada”.

4. Inclua gastos que não têm data para acontecer no orçamento

Por outro lado, há ainda despesas que nem data para acontecer tem, mas sabemos que teremos todo ano, como manutenção do carro e pequenas reformas na casa, diz a planejadora financeira.

“Se no ano passado foi gasto R$ 1.200 com manutenção do carro, podemos considerar esse valor para o novo ano. Dividido pelos meses, podemos guardar R$ 100 na reserva de emergência pensando em fazer frente a esse valor.”

Dessa forma, não será necessário repor a reserva de emergência, caso ela já esteja formada. Se você ainda não ter feito uma, será possível evitar estourar o orçamento.

5. Divida os gastos acumulados no cartão de crédito

Porém, muitas pessoas acabam concentrando os gastos do mês no cartão de crédito como forma de obter benefícios, como milhas.

Contudo, ao criar uma planilha de gastos, é necessário abrir a fatura e colocar cada gasto em seu grupo correspondente.

Desta forma, a recomendação é lançar os gastos diariamente, mesmo os realizados no cartão de crédito, diz Corrêa.

“O cartão é outro buraco nas finanças. Muita gente não tem ideia de como gasta nele. Ver o valor total da fatura é diferente de saber que gastou R$ 200 com aplicativos naquele período. O detalhamento permitirá fazer escolhas.”

6. Faça os cálculos e compare

Contudo, depois de inseridos os meses do ano e criado os grupos de despesas, some os gastos e receitas mensalmente e também anualmente.

Logo, será fácil identificar o que sobra para aplicações e investimentos ou se será necessário reforçar receitas para conseguir cumprir os objetivos.

7. Acompanhe sempre

Por fim, a recomendação de Florence Corrêa é que a planilha de gastos seja acompanhada diariamente.

Isso porque, caso o monitoramento seja feito uma vez por semana pode ser que haja dificuldade para lembrar de todas as despesas.

“De nenhuma forma indico monitorar a planilha uma vez por mês. Será uma carga muito pesada lançar todos os gastos de uma vez só. O resultado? A tarefa será adiada e dificilmente se tornará um hábito. Caso seja feita todos os dias, há mais chances de se tornar um hábito e o tempo que levará será dificilmente maior do que 10 minutos”.