Sextou sem dinheiro? Como manter a vida social sem estourar o orçamento

Especialistas ouvidos pela redação dão dicas de como equilibrar as contas e os rolês

Às vezes, os gastos saem do controle e, às vezes, as emergências aparecem e fazem as despesas aumentarem. Em qualquer um dos casos, a conta aperta e é preciso ajustar os cintos. Mas, será que em momentos de sufoco financeiro é necessário cortar todos os gastos com lazer ou socialização?

Segundo os especialistas ouvidos pela redação, depende. Situações de desemprego ou de endividamento requerem mais austeridade com o dinheiro que um mês em que a fatura do cartão de crédito veio mais alta que o esperado, por exemplo. 

Ainda assim, todos os casos de dificuldade financeira, em maior ou menor escala, requerem mudanças nas contas do mês e um certo reajuste de prioridades. Nessas, pode ser que o divertimento e a descontração sejam reduzidos ou, mesmo, eliminados por um tempo. 

Muitas vezes, o provérbio “quem tá duro fica em casa” deve ser aplicado. Não tem jeito. Em outros, é possível manter certos gastos sociais, ainda que mais comedidos ou restritos. “Ninguém vai morrer se ficar dois ou três meses sem sair para beber com os amigos. Mas, mesmo que seja para curtir sozinho, é preciso tomar cuidado. A alimentação fora de casa está com preços impraticáveis”, recomenda Eliane Habib, co-fundadora da Practa Educação Financeira.

Posso dar rolê se estiver endividado?

Na hora de sair do sufoco financeiro, é preciso selecionar com o que gastar. “Fazer escolhas é bem desagradável. Mas elas são necessárias para que a gente passe rápido por esse momento ruim”, diz Habib. 

Ela explica que todo orçamento equilibrado prevê os “gastos sociais”, como festas, encontros e noitadas. Mas, diante de desafios, eles são os primeiros a serem cortados. Mas, quando isso acontecer, se isolar não é uma boa escolha. Segundo a educadora, contar com o apoio dos amigos é importante. Ela compara com um regime alimentar para perder peso:

“Quando você entra em dieta, é preciso avisar as pessoas para não parecer que você está as evitando. ‘Não posso ir na sorveteria com você, tô evitando doce’. Com o regime é financeiro, é igual. Não precisa ter vergonha. Todo mundo vai entender. O que se pode dizer é: em vez de irmos nesse lugar, por que não vamos neste outro, que cabe no meu bolso?”

E, além das saidinhas, é preciso se atentar a outras despesas supérfluas. Em especial, as que passam despercebidas, mesmo no dia a dia. Ela conta que o cartão de crédito é um gasto invisível e pode trazer um grande sufoco financeiro . “Quem está endividado precisa fazer uma dieta muito restrita com ele, quem sabe até de tolerância zero. Pode parecer duro, mas faz muito bem para quem está duro. Quem não está tão enrolado assim pode, até, ter um pouco mais de liberdade. Mas não vai escapar do regime, viu?

Como dar rolês alternativos 

Ao enfrentar um desafio financeiro, o primeiro passo é fazer um planejamento de curto, médio e longo prazo para superá-lo com o mínimo de desconforto possível. Mas, é claro, os desconfortos virão. 

“A vida social é muito importante e a educação financeira sempre vai contemplar o bem estar da pessoa. Mas não é possível estar bem com problemas financeiros. Dá pra continuar a praticar um hobby, desde que isto esteja enquadrado no seu orçamento”, afirma Eduardo Medeiros, especialista em educação financeira na Ágora. 

Ele defende que é possível continuar saindo estando endividado, desde que isso seja planejado. Para isso, é preciso procurar frequentar lugares e eventos gratuitos ou que custem pouco. 

“Quem está enfrentando um problema financeiro, normalmente, tem vergonha. E isso não pode acontecer. Provavelmente, seus amigos irão te entender e, até mesmo, te oferecer ajuda. Tanto financeira quanto de companhia”, aconselha.

Nesse sentido, passeios ao ar livre e a prática de esportes em conjunto são boas opções – além de acompanhar a agenda cultural da sua cidade, que deve incluir opções gratuitas. Para além de restringir gastos e reduzir despesas, ele também recomenda buscar um aumento nas receitas. Que tal usar o tempo para pensar em vender coisas que já não usa ?