Golpes virtuais: conheça 5 fatores que podem afetar a segurança dos pagamentos online

Saiba também o que está sendo feito para melhorar a segurança digital

Pergunta rápida: você lembra quando foi a última vez que precisou utilizar algum canal físico para realizar qualquer tipo de transação financeira? Se a sua resposta foi negativa, saiba que você não está sozinho. Afinal de contas, de acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2023, realizada pela Deloitte, 8 em cada 10 operações financeiras no Brasil são feitas em canais digitais. Desse modo, então, vem a dúvida: como será que anda a segurança em pagamento online?

Para responder essa questão, a gente conversou com Adriana Umeda, diretora executiva de risco da Visa do Brasil, que apresentou para gente os 5 fatores que podem afetar a segurança digital, e claro, o que está sendo feito para minimizar esses possíveis golpes virtuais. Veja só:

1. Popularização de ferramentas de fraude

O aumento no número de pessoas realizando transações financeiras online trouxe uma contrapartida que hoje é um pouco óbvia: o aumento de golpes. Além disso, de um tempo para cá, ficou mais fácil ter acesso às ferramentas de fraude.

Em várias plataformas é possível comprar pacotes de ferramentas que ajudam no golpe virtual e podem atrapalhar a segurança em pagamento online.

“Embora concorde que a democratização do acesso às tecnologias antes restritas às grandes corporações facilite a vida de fraudadores, entendo que o divisor de águas continue sendo a índole de cada indivíduo. E, otimista que sou, acredito que a grande maioria das pessoas não sucumbirá a ganhos ilícitos”, afirma Adriana Umeda.

2. Fraudadores criam novas identidades

Hoje em dia, tem se tornado cada vez mais popular o desenvolvimento de novas contas com identidades roubadas. E para piorar, as transações feitas com esse usuário fake podem passar desapercebidas pela segurança em pagamento online.

Isso porque as credenciais do internauta costumam ser vistas pelas instituições como legítimas. Afinal de contas, o nome ou o número da conta da pessoa não são fraudulentas, ainda que as contas e as identidades usadas o sejam.

“O setor de meios de pagamentos tem investido fortemente em soluções destinadas a uma melhor avaliação do risco de contas novas. E isso contribui para impedir as tentativas de falsidade ideológica usando identidades roubadas ou sintéticas”, conta Adriana.

3. Inteligência Artificial generativa facilita burlar a segurança em pagamento online

A evolução da Inteligência Artificial chegou à chamada fase generativa, em que os robôs são capazes de realizar atividades mais complexas, como escrever um texto, e mais atualmente, realizar golpes virtuais.

Um bom exemplo disso está nos e-mails de phishing e outras táticas comuns usadas na Internet. Então, antigamente, existiam alguns pormenores nessas mensagens que facilitavam a identificação de fraude, como erros de gramática, formatação ou ortografia. E isso era um ponto positivo para segurança digital.

O problema é que com o uso de ferramentas de IA generativas, ficou mais fácil ocultar essas imperfeições, e pior, mais difícil identificar as falsificações.

“Situações como essas têm motivado uma mobilização ainda maior do setor de meios de pagamentos com foco no alerta aos consumidores sobre práticas suspeitas, através de vários canais de comunicação. Desse modo, o combate e a prevenção têm sido feitos pela informação”, afirma a diretora executiva de risco da Visa do Brasil.

4. Melhora no processo de checkout rápido

Um outro ponto levantado por Adriana envolve balancear o uso de controles de segurança digital robustos e a eliminação do atrito nas transações e interações com o cliente.

“Por exemplo, muitos consumidores gostam de comprar diretamente pelos aplicativos de mídia social, mas muitas das etapas de segurança e autenticação usadas para autorizar uma transação acabam deixando o processo mais lento. Por isso, reforçar os investimentos em segurança nessas formas de pagamento irá contribuir para mitigar fraudes e garantir uma experiência melhor ao consumidor”, acredita.

5. Golpes antigos com novas tecnologias

Alguns estudos apontam que o volume global de transações de pagamento em tempo real foi estimado em mais de US$ 100 bilhões em 2022, devendo crescer mais de 30% ao ano entre 2023 e 2030.

Mas a praticidade dos pagamentos em tempo real também pode deixar as pessoas mais vulneráveis às fraudes. Afinal de contas, esse tipo de transação tem um processo parecido com o de envio de dinheiro. Portanto, uma vez enviado, não há mais volta. Desse modo, se a pessoa fizer uma transação de pagamento em tempo real e, posteriormente, descobrir que o destinatário não era quem achava que fosse, esse dinheiro pode estar perdido para sempre.

Criptomoedas e moedas digitais oferecem desafios semelhantes, pois não há mecanismos para recuperar montantes transferidos para a carteira de um golpista anônimo. Ao usar uma dessas novas tecnologias, é importante saber exatamente quem está do outro lado da transação”, ensina Adriana.