Concessões de crédito caem 9,5% em fevereiro, aponta BC

Dados do Banco Central indicam que empréstimos para pessoas jurídicas caíram 8,1% em fevereiro, após crise da Americanas

A concessão de empréstimos e abertura de novas linhas de crédito pelo sistema financeiro nacional caiu 9,5% em fevereiro em relação a janeiro, mostram dados do Banco Central. Para pessoas jurídicas, como é o caso das empresas, o nível de empréstimos caiu 8,1% contra o mês anterior, totalizando R$ 178,2 bilhões.

É o primeiro mês completo avaliado pelo BC após a divulgação do escândalo contábil da varejista Americanas, que ocultou um passivo de R$ 20 bilhões e tem dívidas de R$ 43 bi. A empresa está em recuperação judicial. No total, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro caiu 0,1% em fevereiro, para R$ 5,319 trilhões.

Crédito para famílias cai 10,5%

O saldo total do crédito livre diminuiu 0,5% em fevereiro, para R$ 3,143 trilhões, enquanto o crédito direcionado avançou 0,6%, para R$ 2,176 trilhões.

Para as famílias, o impacto de restrição de crédito na economia foi ainda maior. O sistema financeiro concedeu R$ 243,7 bilhões em novos empréstimos e financiamentos, recuo de 10,5% em relação a janeiro.

Somado às dificuldades na aprovação de crédito, a taxa de juros do cartão de crédito rotativo subiu 6,0 pontos percentuais em fevereiro, para 417,4%.

O rotativo é a linha de crédito pré-aprovada no cartão e inclui também saques feitos na função crédito do meio de pagamento. No caso de inadimplência do cliente, o banco deverá parcelar o saldo devedor ou oferecer outra forma para quitar a dívida em condições mais vantajosas dentro de 30 dias. O índice é importante porque define os empréstimos realizado por bancos de acordo com o perfil de crédito do cliente, sem negociação de limite realizada pelo cliente.

Já a taxa do parcelado do cartão aumentou 7,6 pontos para 189,6%. Assim, a taxa de juros total do cartão de crédito variou de 94,9% para 101,4% em fevereiro.

No cheque especial, a taxa de juros cobrada subiu 6,3 pontos, para 137,4% no mês passado.

Por outro lado, a inadimplência média das operações de crédito subiu 0,1 ponto percentual, de 3,2% em janeiro para 3,3% em fevereiro. Entre as empresas, a taxa média ficou em 2,1%, contra 1,9% em janeiro. Entre as famílias, foi 4,1%, contra 4% no mês anterior.

Saldo total de crédito para empresas cai em fevereiro

O saldo total de crédito para as famílias aumentou 0,4% no mês, chegando a R$ 3,238 trilhões. Para as empresas, houve decréscimo de 0,7%, para R$ 2,081 trilhões.

As concessões com recursos livres, em que as taxas são pactuadas livremente entre bancos e clientes, caíram 9,6%. Já as operações com recursos direcionados, que são regulamentadas pelo governo ou vinculadas a recursos orçamentários, diminuíram 8,6%.

Crescimento do crédito em 2023

As projeções mais recentes do BC para o crescimento do crédito em 2023 são: 8,3% para o total; 8,6% para o livre; 8% para o direcionado; 9% para pessoas físicas; e 7,3% para pessoas jurídicas.

Pelo critério dessazonalizado, as concessões de crédito cederam 2,2% no mês em fevereiro. Para as pessoas físicas, houve expansão de 0,8%, enquanto, para as pessoas jurídicas, foi registrada queda de 4,4%.

No crédito livre total, as concessões diminuíram 1,8%. No crédito direcionado, recuaram também 1,8%.

O relatório do BC trouxe também que o crédito ampliado ao setor não financeiro cresceu 0,9% em fevereiro, perante o mês anterior, alcançando R$ 14,872 trilhões. Essa é considerada pela autoridade monetária a medida mais abrangente do crédito, já que inclui não apenas empréstimos e financiamentos, mas também o mercado de capitais e empréstimos externos.

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