Itaú lança fundo com gestão ativa que migra os investimentos em ações com FGTS

Produto pode ser uma alternativa mais rentável no longo prazo

O Itaú Unibanco lançou um fundo de investimento que pode ser uma alternativa mais rentável no longo prazo para o investidor migrar das ações de Eletrobras (ELET3; ELET6), Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3) com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), nas privatizações.

O novo produto faz gestão ativa, ou seja, pode comprar ações diferentes livremente, em vez de apenas um papel e também não tem a obrigação de seguir um ativo ou índice, como acontece com os fundos de gestão passiva.

O recurso aplicado originalmente em Fundos Mútuos de Privatização (FMPs) pode ser transferido para os chamados FMPs Carteira Livre. Além de ações diversas, eles podem comprar títulos de renda fixa até o limite de 49% da carteira.

A maioria dos investidores ainda não conhece os FMPs Carteira Livre, mas desde meados de dezembro, seis meses após a privatização da Eletrobras, o número de fundos assim começou a aumentar. Banco do Brasil,Bradesco, BTG Pactual, Genial e XP já possuem esses produtos e, agora, o Itaú entrou no grupo.

O banco lançou o Itaú Balanceado Ativo FMP-FGTS Carteira Livre, que deixa 55% da carteira em renda variável e 45% em renda fixa. A fatia de renda variável adota a mesma estratégia do fundo de ações Asgard, gerido pela Itaú Asset, que tem o objetivo de superar o Ibovespa. Já a parcela de renda fixa combina as estratégias dos fundos de crédito privado mais importantes da Itaú Asset. A taxa de administração é de 1,5% ao ano.

O que é a gestão ativa de um fundo de ações?

Mas, afinal, como funciona um fundo de ações com gestão ativa?

O economista Pedro Paulo Silveira, diretor de gestão de investimentos da Nova Futura, explica qual as diferenças entre um fundo de gestão ativa e um de gestão passiva na Entrevista da Semana que está logo abaixo:

Vantagens de tirar o dinheiro do FGTS para comprar ações

Os estudos apontam que, nas experiências realizadas, compensou comprar as ações das companhias com FGTS nas privatizações, em comparação a deixar o dinheiro no FGTS, que rende apenas 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR).

Contudo, uma carteira diversificada tende a oscilar menos do que apenas uma ação, porque busca ter papéis diferentes conforme o ambiente macroeconômico e microeconômico para as companhias.

Ou seja, é menos impactada por problemas econômicos, políticos ou mesmo setoriais que afetam uma única empresa. Assim, uma carteira diversificada tende a proporcionar um equilíbrio maior entre retorno e risco.

Desvantagens de sair do FGTS para comprar ações

Entretanto, é bom saber que esses fundos com gestão ativa custam mais caro, ou seja, os bancos e corretoras ganham mais quando os clientes fazem a migração.

A taxa de administração vai até 2% ao ano nos FMPs Carteira Livre, bem acima da taxa de administração máxima de 0,40% ao ano nos FMPs originais de Eletrobras, por exemplo.

E ainda há o risco da equipe de gestão errar as suas escolhas e o fundo ir mal em algum ano. Apesar disso, especialistas aconselham fazer a migração.

Quais são as regras dos FMPs?

O cotista que migrar o dinheiro para os FMPs Carteira Livre não é tributado, porque ele faz um processo chamado de portabilidade, e não de resgate.

Apenas investidores que já possuem dinheiro alocado em FMPs podem pedir essa migração ao assessor de investimentos da corretora ou ao gerente do banco.

A portabilidade pode ser feita dentro do mesmo banco ou corretora ou para outra instituição financeira.

O investidor dos FMPs Carteira Livre também só consegue pedir a migração do dinheiro de novo para outros FMPs após seis meses ou para a conta do FGTS após 12 meses.

A carência cai caso ele entre em algumas das condições para uso do FGTS, como aposentadoria e demissão sem justa causa.