Vale (VALE3): Novas provisões relacionadas ao desastre de Mariana podem reduzir retorno aos acionistas, diz BofA

Banco avalia que uma cobrança adicional poderia levar a um aumento da dívida da mineradora

As renegociações do acordo de reparação da tragédia de Mariana devem causar provisões adicionais para a Vale (VALE3) e a BHP Billiton, avalia o Bank of America (BofA). Como consequência, isso poderia levar a um aumento da dívida da mineradora e a uma redução no retorno aos acionistas.

Na semana passada, foi noticiado que a Justiça Federal decidiu que a Vale e a BHP fizessem um depósito judicial de R$ 10,3 bilhões para garantir a execução dos programas da Fundação Renova, entidade criada para administrar os projetos de reparação dos danos causados pela barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana, em 2015.

Esse pagamento seria feito em 10 parcelas, sendo o primeiro pagamento programado para 40 dias após a publicação da decisão. A empresa diz que ainda não foi notificada sobre a decisão judicial, mas já afirmou que a medida cabe recurso.

O Bofa lembra que a Vale, BHP e Samarco estão desde o ano passado tentando renegociar com o governo as provisões relacionadas ao rompimento da barragem. Para as autoridades, os valores gastos e provisionados até agora são insuficientes para cobrir o valor total de reparações e indenizações.

Segundo notícias em circulação, no final do ano passado, um novo valor de provisionamento relacionado ao acidente da Samarco foi acordado em R$ 112 bilhões e, até o momento, cerca de R$ 60 bilhões já foram gastos ou provisionados. Assim, comenta o Bofa, há uma diferença de R$ 52 bilhões entre o valor já utilizado e o novo valor final acordado.

No entanto, devido a divergências sobre o cronograma dos desembolsos, o acordo não foi assinado. Então agora, o novo governo busca um acordo de R$ 155 bilhões, acima do montante discutido no ano passado. Este valor, segundo o Bofa, é baseado em uma ação anterior que nunca foi extinta e que usou a reparação de derramamento de óleo da BP como procuração.

Na visão do BofA, o mercado já precificou as provisões necessárias para seguir o acordo do ano passado de R$ 112 bilhões. Para o banco, o fechamento de um acordo poderia reduzir significativamente a insegurança jurídica, ajudando o preço das ações da Vale.

Além disso, o banco acredita que a com a resolução desse caso, a Vale poderia avançar com seu licenciamento e, portanto, acelerar a recuperação de volumes para a divisão de minério de ferro e ajudar no desbloqueio de valor.

No entanto, as provisões adicionais, diante de um aumento potencial no valor acordado com o novo governo, poderiam impactar o retorno aos acionistas da Vale, uma vez que levaria a dívida líquida expandida da companhia para entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, afirma o BofA.

O banco mantém a sua indicação neutra para as ações da Vale, com preço-alvo em R$ 100, um potencial de valorização de 24,5% sobre o preço atual dos papéis.

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