Recentemente, explodiu na Itália mais um caso de envolvimento de jogadores de futebol com apostas. O colunista Cesar Grafietti te explica mais.

Apostas esportivas: precisamos avaliar os riscos e tomar as medidas antes que seja tarde

FUTEBOL

Os eventos Totocalcio e Monopoli, que culminaram com suspensão de atletas, prisões, rebaixamentos e outras punições, são exemplos disso. Dessa vez, três atletas são acusados de realizarem apostas em partidas de futebol a partir de sites piratas. São eles: Nicolo Fagiole (Juventus), Nicolo Zaniolo (Aston Villa) e Sandro Tonali (Newcastle).

Se o jogo na Itália é legal, que crimes cometeram os atletas? Primeiro: atletas não podem participar de apostas em competições nas quais atuam. Mesmo que não sejam das partidas de seus clubes. Este é um tema que consta em todas as regras de competições na Europa. E não só a aposta, como também a participação societária em empresas de apostas.

Por que é crime?

Outra violação que os atletas italianos cometeram foi o de utilizarem plataformas piratas de apostas. Como todo negócio regulado, há sempre quem decida explorá-lo de forma pirata para evitar pagamento de impostos, rastreamento de pessoas ou roubar conteúdo. Estima-se que esses sites movimentem mais de € 18 bilhões anualmente, 25% do volume total transacionado pelos sites legais no mesmo ano (foram € 73 bilhões em 2022).

O Ministério do Consumo na Espanha reportou a quantidade de apostadores com menos de 25 saiu de 28% em 2016 para 48% em 2021, e que os jovens começam a jogar com 15 anos, em média. No Reino Unido, a Gambling Commission estima que 53% da população acima de 16 anos fez ao menos uma aposta em 2022.

Muito dinheiro, muitas preocupações

Segundo o site Euronews, na Alemanha há 1,3 milhão de ludopatas (viciados em jogos). Na Europa, a EGBA (agência europeia de controle de jogos) estima que até 6,4% dos adultos da região sofram de ludopatia.

Em setembro, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que regulamenta o setor de apostas a cotas fixas no Brasil. De lá, o PL seguiu para apreciação do Senado federal. O texto aparenta preocupação com a distribuição do dinheiro das apostas esportivas, especialmente dos impostos. Falam na estimativa de arrecadação de até R$ 12 bilhões.

Como estão as apostas esportivas no Brasil

O projeto, de lei resolve parte do limbo que foi gerado desde a aprovação em 2019 do decreto-lei que autorizou as apostas de cota fixa. Tem temas mais diretos, como: a necessidade de autorização para operar no país, com sede local, pagamento de R$ 30 milhões de taxa, mecanismos de conversa com clientes, prevenção à lavagem de dinheiro, e se a empresa possui mecanismos de prevenção ao vício.

Como estão as apostas esportivas no Brasil

Permissão sem grandes restrições, exceto uma limitação de horário no qual podem ser veiculadas, cuja definição caberá ao Ministério da Fazenda. A proposta também proíbe que empresas de apostas esportivas comprem ou licenciem direitos de transmissão esportiva. Diferente da Europa, onde a Itália proibiu a publicidade de casas de apostas e a Premier League proibirá a patrocinadores a partir de 2026/27, no Brasil seguimos a maioria dos mercados. Por aqui, autorizamos quase tudo.

Como fica a publicidade das apostas esportivas

As placas de publicidades nos campos de futebol são um show de casas de apostas, que tem feito a alegria dos clubes e de quem as vende. As camisas dos clubes brasileiros estão repletas desses sites, que operam para ganhar reconhecimento e mercado.

Como fica a publicidade das apostas esportivas

A justiça desportiva tem códigos de sanção aos atletas que atuarem para alterar o resultado de uma partida. Além disso, não há regulamento ou controle sobre atletas que apostam, direta ou indiretamente.  Cabe à CBF, às federações e a quem organiza as competições estarem mais atentas em relação ao tema.

Atletas que alteram resultados