Duelo de ações: Via ou Magalu, em qual investir?

Conheça as características das duas gigantes do varejo

Pontos-chave

  • Magalu é maior do que a Via e tem ritmo de crescimento mais acelerado
  • A dona da Casas Bahia, no entanto, consegue margem de lucro maior em suas operações

O varejo passa por momentos extremamente desafiadores atualmente. Com inflação e juros altos, as margens do setor estão sendo cada vez mais pressionadas. Porém, muitos investidores gostam do setor e não abrem mão de ter um representante na carteira. Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3) são os principais nomes do varejo na Bolsa brasileira, mas qual ação é melhor?

Para ajudar os investidores, a Inteligência Financeira apresenta o primeiro conteúdo da série Duelo de Ações, que vai comparar sempre dois papéis. A ideia é que você entenda o momento de cada uma das ações e, com as informações e recomendações de especialistas e analistas do setor, decida qual tem mais espaço na sua carteira. 

Frente a frente

Fontes: Magazine Luiza e Via

Pontos positivos

Magazine Luiza e Via não são gigantes brasileiras à toa. As duas conseguiram se destacar em um setor extremamente competitivo, se tornaram símbolos do varejo nacional e são muito comentadas no mundo dos investimentos. 

Martketplace

Vamos começar pelas semelhanças: as duas operam com forte crescimento no marketplace, que é o setor onde a companhia cria uma plataforma para outras empresas venderem seus produtos.

Em 2021, o volume de vendas da Via no marketplace foi de R$ 6,37 bilhões, número que representa crescimento de 97,7% na comparação com 2020. No Magazine Luiza, esse volume foi de R$ 13 bilhões, com crescimento de 69% em relação ao ano anterior. 

O desafio das empresas é conseguir aumentar a base de vendedores e, assim, diminuir o custo de aquisição de clientes. Isto porque um vendedor que começa a oferecer os produtos da Via no Ponto (antigo Pontofrio), por exemplo, geralmente vai fazer anúncio das ofertas em seus canais de contato com o cliente, o que ajuda a Via a conquistar aquele consumidor de forma mais barata. 

E-commerce

Aqui, quando falamos de e-commerce, estamos tratando das vendas feitas pela própria varejista. É quando você acessa um item no site e a descrição do produto diz “Vendido por Magazine Luiza”. Nesse caso, a margem de lucro é maior, mas o custo de aquisição ao cliente tende a ser maior na comparação com o marketplace. Nesse quesito os números também mostram vantagem do Magazine Luiza, mas, para investir em uma ação, é preciso pensar no futuro da companhia e na sua capacidade de continuar crescendo e gerando renda. 

Em 2021, o volume de vendas no e-commerce do Magalu chegou a R$ 40 bilhões, o que representa um crescimento de 40% na comparação anual. Na Via, esse número foi de R$ 16,8 bilhões, com crescimento de 22,9%. 

Governança corporativa 

Ainda é preciso destacar que as duas empresas fazem parte do ISE B3, o Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bolsa. O índice é uma ferramenta que mede o comprometimento das empresas com o equilíbrio ambiental, governança corporativa e justiça social. 

Logística

Aqui, o gol vai para a Via, segundo Matheus Jaconelli, analista de investimentos da Nova Futura. “Empresas têm trabalho forte no e-commerce, mas a Via se destaca em logística e investimento em distribuição”. A empresa afirma que 65% dos pedidos que recebe em seu site são entregues em menos de 48 horas, sendo 15% entregues no mesmo dia e 40% em até 24 horas. No Magazine Luiza, o último balanço fala em 30% das entregas do marketplace feitas em até 48 horas. 

Aquisições

Para o analista, porém, o Magazine Luiza fez aquisições mais interessantes nos últimos anos e conseguiu aumentar a participação em nichos de mercado, como o segmento de games. No ano passado, a empresa comprou a KaBum!, um dos maiores e-commerces de tecnologia e games do país. Além disto, comprou o site Jovem Nerd, também um dos maiores do país voltados para o público gamer. Em seu balanço do quarto trimestre de 2021, a empresa disse que está desenvolvendo novas fontes de receita após o ciclo de aquisições e 45% das vendas online da empresa já são de novas categorias. 

Fraquezas

Os especialistas ouvidos pela Inteligência Financeira indicaram alguns pontos de atenção para as ações das duas varejistas. Todos, porém, estão relacionados ao setor de atuação das empresas e ao cenário macroeconômico, que é extremamente desafiador para o varejo atualmente. 

Juros e inflação 

Com a Selic a 11,75% ao ano, os financiamento estão caros. Esta é uma medida que o Banco Central tomou para se proteger contra a inflação, que avançou 11,30% no período de 12 meses terminado em março. Os empréstimos são muito usados por varejistas. Eles pegam dinheiro emprestado para investir em logística, compra de produtos, contratações ou tecnologia, porque quanto maior a escala, maiores as chances de conseguir margens melhores. Os financiamentos também são usados pelos consumidores para comprar itens mais caros, como geladeiras e televisores, por exemplo, segmento em que Via e Magalu são muito fortes.

Concorrência

O varejo internacional não encontra altas barreiras de entrada para atuar no Brasil. Isto fez com que concorrentes de peso, como Amazon, Mercado Livre, Shoppe, Shein e AliExpress ganhassem muita força no mercado nacional. Isto pressiona as empresas locais, que têm as suas margens ainda mais encolhidas, já que outros players entram oferecendo preços mais competitivos para conquistar a fidelidade dos consumidores. 

Endividamento da Via

O único fator específico de uma empresa apontado por especialistas é o endividamento da Via. Para Matheus Jaconelli, da Nova Futura, a companhia comandada por Roberto Fulcherberguer “tem endividamento alto em momento de juros elevados e empresas com esta característica tendem a sofrer com isto”. A trajetória da Selic nos próximos meses pode colocar ainda mais pressão na Via, já que o mercado passou a esperar que a taxa fique em patamares elevados por mais tempo para combater a inflação que surpreende todos os meses. 

Eleições

Para 2022, as eleições presidenciais também são um fator de pressão sobre as varejistas. Isto porque o investidor costuma fugir de ativos arriscados em situações de tensão. Agora, investir no varejo não é a aposta mais segura e as lojas podem ver capital migrando para ações consideradas mais defensivas ao longo do ano. 

Vantagem é do Magalu

Olhando para as duas ações, a Nova Futura e Toro Investimentos têm posição neutra. Ou seja, não recomendam a negociação dos papéis, seja para comprar ou vender, caso já tenha um dos ativos na carteira. 

Túlio Nunes, especialista de finanças da Toro, explica que “não temos um drive que nos faça mudar de opinião. Acreditamos que a estratégia de aperto monetário vai continuar, até porque a inflação foi a maior para o mês de março, então não há motivo para olhar com bons olhos. 

Para quem quer comprar uma das ações, Matheus Jaconelli recomenda esperar até o fim deste ano. Ele é um pouco mais duro com as ações da Via: “para quem tem, acho melhor sair”. 

A conclusão do analista vai de encontro com o que o Itaú BBA recomenda. A empresa também vê a Via abaixo de Magazine Luiza agora e abaixou a recomendação para a ação de compra para neutro, enquanto a dica para MGLU3, por enquanto, é comprar. 


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