Semana terá pistas essenciais para balizar apostas sobre juros no Brasil

Entender para onde vai a taxa Selic é fundamental na definição de estratégias de investimento em renda fixa e variável

Rua de comércio popular no Rio de Janeiro (RJ) (Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo)

Da semana passada, os investidores brasileiros estão carregando uma pergunta fundamental para definir as estratégias em renda fixa e variável nos próximos meses: como vai ser a desaceleração do ritmo de aumento de juros pelo Banco Central?

Na quarta (2), o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) anunciou uma esperadíssima alta de 1,5 ponto percentual da taxa básica Selic, para 10,75% ao ano – o maior nível desde abril de 2017. Mas disse também que, embora ainda veja necessidade de seguir firme na elevação dos juros, acredita que a dosagem possa ser reduzida. Não indicou em quanto, daí esta ser a grande dúvida do mercado financeiro na alocação de recursos neste momento.

Nos próximos dias, alguns indicadores podem fornecer pistas importantes para diminuir um pouco a incerteza. São medidas de inflação e de atividade econômica, as principais variáveis consideradas pelo BC na fomulação da política monetária. O principal objetivo do aumento dos juros é domar a inflação, o que normalmente se consegue esfriando a economia.

No que diz respeito à inflação, tem o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) de janeiro, da FGV (Fundação Getulio Vargas), na segunda (7). Na terça (8), da mesma instituição, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) referente à primeira quadrissemana de fevereiro. Na quarta (9), vêm a primeira prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de fevereiro, também da FGV, e o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de janeiro, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que é o indicador oficial de inflação do país. Em 2021, o IPCA disparou para 10,06%, e agora o BC luta para trazer o índice de volta à meta, que em 2022 é de 3,5% (com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos).

Sobre a atividade econômica, tem a produção de veículos em janeiro, medida pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que sai na segunda (7). Na quarta (9), pelo IBGE, tem as vendas do varejo em dezembro. Na quinta (10), o faturamento do setor de serviços em dezembro, pelo IBGE. Na sexta (11), o BC informa o seu IBC-Br de janeiro. O índice ajuda a ter uma visibilidade mensal do desempenho da economia, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto), que é o indicador oficial do IBGE, só é divulgado trimestralmente.

Como afeta os investimentos?

Quanto maior a inflação, mais altos precisam ser os juros para domá-la. Entretanto, se a atividade estiver muito fraca, o BC pode não aumentar demais a Selic para não paralisar a economia de vez. Os juros elevados favorecem as aplicações em renda fixa, em detrimento da renda variável.

Principais eventos da semana

Segunda-feira (7)

  • 8h: IGP-DI, da FGV
  • 8h25: Boletim Focus, do BC
  • 10h: Produção de veículos, da Anfavea
  • Balanços: BB Seguridade, Porto Seguro

Terça-feira (8)

  • 8h: IPC-S, da FGV
  • Balanços: Brasil Agro, ABC Brasil, Bradesco, Banco PAN, Log Commercial Properties

Quarta-feira (9)

  • 8h: IGP-M, da FGV
  • 9h: IPCA, do IBGE
  • 9h: Vendas no varejo, do IBG
  • Balanços: Banco do Brasil, Klabin, Suzano, TIM

Quinta-feira (10)

  • 9h: Volume de serviços, do IBGE
  • 10h30: EUA – Inflação ao consumidor
  • 10h30: EUA – Pedidos de auxílio-desemprego
  • Balanços: Itaú, Multiplan

Sexta-feira (11)

  • 9h: IBC-Br, do BC
  • Balanços: Cosan, Usiminas, Renner

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