Poupança fica ainda menos atrativa com Selic a 13,75% ao ano; veja opções de renda fixa melhores

Expectativa de mais uma alta dos juros favorece títulos pós-fixados

(Foto: Brano/Unsplash)

Com a elevação de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros brasileira Selic anunciada no começo da noite desta quarta-feira (3) pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), para 13,75% ao ano, a tradicional caderneta de poupança se torna menos atrativa para os investidores, e a desafasagem em relação às aplicações em renda fixa aumenta.

A rentabilidade da poupança tem como referência os juros básicos. Quando a Selic está abaixo de 8,5% ao ano, a poupança rende, ao mês, 70% da Selic mais a TR (taxa referencial). No entanto, quando a Selic sobe acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% mais a TR.

Ou seja, a partir do nível de 8,5% ao ano da Selic, a poupança para de acompanhar a taxa básica. E quanto mais a Selic subir, mais para trás a poupança fica.

Por outro lado, os ativos de renda fixa, cuja remuneração acompanha a Selic, vão ficando mais interessantes, já que são um tipo de aplicação com risco menor do que a Bolsa de Valores, por exemplo. Além do aumento realizado pelo Copom na noite de quarta (3), a afirmação do BC de que pode avaliar a necessidade de uma nova elevação, de menor magnitude, na reunião do Copom de setembro, deve esticar o retorno da renda fixa a partir de agora, porque o rendimento dos títulos é mais afetado pelas projeções futuras para os juros do que pelos ajustes do presente, os quais também já foram antecipados há algum tempo.

“De maneira geral, tudo o que temos olhado em renda fixa tem performado bem, em termos de aumento de taxa. As oportunidades têm ficado melhores, seja em títulos públicos, bancários ou de crédito privado”, disse a analista de renda fixa da XP, Camilla Dolle.

Pós-fixados

Segundo analistas, aplicações pós-fixadas, aquelas que acompanham os juros, são boas opções, especialmente para quem quer correr menos risco, já que elas oscilam pouco até o vencimento. Esses investimentos são mais aconselhados para objetivos de menor prazo.

Entre elas, destacam-se os títulos do Tesouro Direto atrelados à Selic, certificados de depósitos bancários (CDBs) letras de crédito imobiliário (LCIs) e letras de crédito do agronegócio (LCAs), além dos fundos DI.
O risco de calote dos títulos emitidos pelos bancos privados sempre existe, mas o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) oferece proteção até o limite de R$ 250 mil por CPF por instituição financeira.
Vale destacar também que LCIs e LCAs são isentos de imposto de renda.

“Se o investidor não tem uma reserva de emergência, deveria ir para um CDB com liquidez diária. Agora, se o objetivo é de médio prazo, os investimentos indexados ao IPCA estão pagando um juro real alto. Além disso, há LCIs e LCAs que se comparam com CDBs que rendem acima de 100% do CDI, já que são isentas de IR”, destaca o educador financeiro do C6 Bank, Liao Yu Chieh.

Títulos atrelados à inflação e prefixados

Para quem aceita correr mais riscos, também há investimentos interessantes mesmo na renda fixa. De acordo com os especialistas, nesses casos, o investidor pode reduzir sua exposição em pós e aumentar em prefixados e atrelados à inflação.

Os títulos atrelados à inflação remuneram o IPCA mais uma taxa prefixada definida no momento da aplicação. Com isso, o investidor se protege do aumento dos preços no período e pode ganhar mais, já que a parte prefixada está alta, com a perspectiva de uma Selic ainda elevada.

Para os especialistas, o momento pode ser positivo para a aquisição dos prefixados, que remuneram uma taxa definida na hora da aplicação, caso o investidor tenha a expectativa de que o ciclo de altas da Selic está próximo do fim.

Mas em ambos os casos, a atenção deve ser redobrada, pois a renda fixa não é tão fixa assim. As taxas e preços dos títulos variam diariamente até a data de vencimento pelos mais diversos motivos, que vão desde a divulgação de dados econômicos até as incertezas políticas.

Dessa forma, aqueles que estejam interessados em resgatar o ativo investido antes do prazo final precisam estar atentos a esses ganhos ou perdas, pois é possível que a curva de juros do mercado em um determinado momento seja diferente da taxa de cupom da época da aquisição do ativo.

No caso dos prefixados, por exemplo, o Banco Central (BC) pode demorar mais tempo a começar a cortar os juros e a pessoa que adquiriu o ativo ficará presa em um título com rendimento abaixo da Selic.

“Quando a gente fala de prefixado, temos preferido prazos mais curtos, em torno de dois a três anos, por conta de toda a incerteza que temos no mercado. Para proteger da inflação, o ideal é investir em ativos atrelados à inflação de fato, os IPCA+, e levando até o vencimento, que é até onde podemos garantir a proteção contra a inflação”, disse Camila, da XP.

O especialista em investimentos do banco Santander, Arley Júnior, destaca que o banco possui posição em ativos na classe de inflação, apesar de não terem aumentando a exposição já que a expectativa é de redução dos preços no curto prazo.

“Quando olhamos os prazos intermediários e mais longos, os preços estão interessantes. Preferimos o intermediário pela relação risco/retorno. Estamos falando de 2026 a 2028.”

Com conteúdo do jornal digital O Globo

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