Rússia alerta para risco de guerra nuclear na Ucrânia devido à ajuda militar da Otan

A ameaça foi feita em entrevista pelo ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov

Foto: Pexels

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, fez um alerta nesta terça-feira de que há um “sério risco” de que o conflito na Ucrânia se transforme em uma guerra mundial, com uso de armas nucleares, devido à ajuda militar do Ocidente aos ucranianos.

“O perigo [de uma guerra nuclear] é sério. Ele não pode ser subestimado”, afirmou Lavrov em uma entrevista a uma emissora estatal russa, acrescentando que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estaria travando uma “guerra por procuração” contra a Rússia ao armar a Ucrânia.

Lavrov citou a crise de mísseis de Cuba de 1962, quando a União Soviética e os Estados Unidos estiveram perto de iniciar uma guerra nuclear. Segundo ele, naquela época, Moscou e Washington haviam entendido as regras de conduta entre as superpotências durante um período de conflito, algo que teria sido esquecido atualmente.

Embora tenha feito novas ameaças ao Ocidente, Lavrov afirmou que a Rússia pretende continuar negociando com a Ucrânia para chegar a um acordo de paz. O chanceler também afirmou que seria útil a presença dos EUA nas conversas, mas que o Kremlin não observou um interesse americano em se envolver no diálogo.

As declarações de Lavrov ocorrem após o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, ter afirmado durante uma visita a Kiev que a Casa Branca quer ver a Rússia “enfraquecida” a tal ponto que não seja mais capaz de realizar ações como a invasão da Ucrânia. Durante a viagem, ele anunciou mais ajuda militar ao Exército ucraniano, que tenta impedir uma ofensiva do Kremlin contra a região de Donbass.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, afirmou que Lavrov está tentando assustar os países que estão ajudando Kiev. “Isso significa apenas que Moscou sente a derrota na Ucrânia”, escreveu ele em uma rede social. “Portanto, o mundo deve dobrar o apoio à Ucrânia para que possamos prevalecer e salvaguardar a segurança europeia e global.”

Lavrov afirmou que os carregamentos de armas ocidentais serão um “alvo legítimo” da Rússia na guerra e acusou a Otan de “jogar lenha na fogueira com o apoio à Ucrânia”. No início do conflito, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que haveria “consequências nunca antes vistas” para países que tentassem interferir no conflito.

O ministro das Forças Armadas do Reino Unido, James Happey, classificou como um “absurdo total” as declarações de Lavrov. “A razão pela qual há uma guerra na Ucrânia agora é porque a Rússia ultrapassou as fronteiras de um país soberano e começou a invadir seu território”, disse ele.

Na avaliação de Leappey, a Rússia está tomando decisões militares equivocadas e abrindo mão de vantagens táticas por causa do suposto desejo do presidente do país, Vladimir Putin, de anunciar algum tipo de vitória na Ucrânia até 9 de maio, quando os russos celebram a derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

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