Aliado de Guedes, novo ministro de Minas e Energia defende privatização da Petrobras

Adolfo Sachsida é nomeado em meio à crise de preços de combustíveis

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Integrante desde a campanha eleitoral da equipe de Jair Bolsonaro, o economista Adolfo Sachsida assumirá o Ministério de Minas e Energia (MME) em meio a uma crise provocada pela alta dos preços dos combustíveis que não tem saída visível.

Ex-secretário de Política Econômica, ele atualmente é o chefe da Assessoria Especial de Estudos Econômicos, recém-criada no Ministério da Economia, para ser um “think tank”. A estrutura reúne a Secretaria de Política Econômica, o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sachsida é muito alinhado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que defende a privatização da Petrobras. O aumento da concorrência no mercado de óleo e gás tem sido uma frente de batalha da equipe econômica desde o início do governo.

Na atual crise provocada pelo aumento dos preços dos combustíveis, a equipe econômica tem resistido a soluções que envolvam o uso de recursos do Tesouro: o pagamento de subsídios ou a criação de um “colchão tributário” para amortecer as variações do preço do produto.

O que estaria ao alcance do governo nesse momento, na visão de Guedes e sua equipe, seria atuar em uma das causas da alta dos preços: a desvalorização do real ante o dólar. Para isso, a aposta é atrair investimentos estrangeiros para o país. Nesta semana, Sachsida prestigiou o lançamento da plataforma Monitor de Investimentos, que traz os projetos de parceria entre governo e iniciativa privada das esferas federal, estadual e municipal.

Quanto à vaorização do barril de petróleo, outra causa estrutural da alta dos combustíveis, a avaliação é de que não há o que o governo brasileiro possa fazer.

Até o início desta semana, não havia propostas sendo elaboradas na área econômica a respeito de alterações na política de preços da Petrobras. No entanto, havia desconforto com o lucro apresentado pela estatal, num mesmo período em que outras empresas globais do setor, como a British Petroleum e a Shell, apresentaram prejuízo.

Como integrante da equipe econômica, Sachsida atuou em medidas como a formulação do Novo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a criação do saque-aniversário. O uso de recebíveis do FGTS como garantia tem permitido aos trabalhadores tomarem empréstimos a juros menores do que os do crédito consignado, mostra estudo elaborado pela SPE.

A expansão do crédito era a principal frente de trabalho de Sachsida nas últimas semanas. Ele vinha atuando nas negociações para aprovação da MP dos Cartórios e dos projetos de lei que reformulam o sistema de garantias no Brasil e o mercado de securitizações.

Sachsida é doutor em Economia pela Universidade de Brasília e fez pós-doutorado na Universidade do Alabama. Lecionou na Universidade do Texas. Sua especialidade é o uso de modelos econométricos para a resolução de problemas econômicos.

Um trabalho polêmico elaborado pela SPE quando estava sob seu comando avaliou a possibilidade de o Brasil haver atingido a imunidade de rebanho contra a covid.

A nomeação de Sachsida para o MME foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, junto com a exoneração do então titular da pasta, Bento Albuquerque.

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