Pesquisador de Oxford afirma que número real de mortos pela covid-19 é próximo de 20 milhões

Foram registradas 6 milhões de mortes oficialmente

Reprodução: Pixabay

Um dos maiores especialistas em covid-19 no mundo e um dos líderes da equipe que desenvolveu a vacina da Oxford/AstraZeneca, fabricada no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o professor irlandês Adrian Hill afirmou no domingo (24), no Rio, que o número real de mortos pela pandemia é pelo menos três vezes maior do que os dados oficiais.

“Foram registradas 6 milhões de mortes oficialmente. Mas existem muitas evidências de que o número real está próximo a 20 milhões, se olharmos para a mortalidade em excesso que não foi relatada”, disse o vacinologista, tendo como base estudos que cruzaram taxas de mortalidade antes e depois da covid-19.

Em dois anos, a pandemia teria, assim, ocasionado uma média de mortes comparável à escala da Segunda Guerra Mundial. O conflito, que durou de 1939 a 1945, matou, segundo estimativas, entre 70 e 80 milhões de pessoas em seis anos.

Diretor do Instituto Jenner, da Universidade de Oxford, Hill apresentou detalhes da pesquisa durante o simpósio internacional “Emerging and Persistent Global Health Threats”, organizado pela Fiocruz e pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID-NIH), agência ligada ao Departamento de Saúde dos Estados Unidos. O encontro de especialistas termina nesta segunda-feira (25).

Um dos objetivos de sua fala, disse Hill, era o de compartilhar lições com a comunidade científica, a respeito de tecnologias e processos de produção e distribuição de vacinas. “É importante saber como vamos lidar com problemas semelhantes no futuro, nós como comunidade global. Porque esta não foi a última pandemia, com certeza”, alertou.

O cientista lembrou que seu trabalho foi conduzido em parceria com a colega de universidade Sarah Gilbert, e que ambos vêm pesquisando uma vacina eficaz para a malária ao longo dos últimos 20 anos. “Ela tinha muita experiência nessa tecnologia em especial e conseguimos produzir em 20 instituições ao redor do mundo, numa questão de meses, testes clínicos que foram realizados no Reino Unido, aqui no Brasil e na África do Sul. Gerou um resultado rápido para a surpresa de pessoas que disseram que não seria possível”, afirmou. Em julho do ano passado, Gilbert foi aplaudida de pé pelo público que assistia a uma partida de tênis do torneio de Wimbledon, em Londres.

O imunizante da Oxford/AstraZeneca, destacou Hill, é o mais largamente utilizado no mundo, em mais de cem países, e vai atingir 2,3 bilhões de doses aplicadas até este ano, dos quais 1,8 bilhão produzido pelo instituto Serum, da Índia, o maior fabricante mundial de vacinas. Também ressaltou ter o menor custo – US$ 3, cerca de R$ 15, por dose – e o baixo impacto em casos de trombose. “Foram raros acontecimentos de coagulação, de uma pessoa em 1 milhão de vacinados que têm o risco de uma coagulação específica”, disse.

Adrian Hill defendeu um novo modelo de cooperação não apenas entre universidades e empresas de biotecnologia mas também com indústrias manufatureiras, como a Serum, para o desafio da distribuição global, o que reputou ser uma das lições aprendidas. “Precisamos realmente de mais capacidade de manufatura para vacinas novas, que não foram produzidas em grande escala ainda”, afirmou.

Ao introduzir a palestra de Hill, o pesquisador da Fiocruz Leonardo Carvalho lembrou que mais de 120 milhões de doses da Oxford/AstraZeneca já foram dadas aos brasileiros e ressaltou que a equipe do pesquisador está na direção de novas conquistas. “[Esta vacina] poderia ter sido a realização de uma vida, mas eles acabaram de publicar os resultados de uma vacina contra malária com 77% de eficácia, o que vai justamente constituir uma ferramenta de prevenção sobretudo no continente africano, onde o problema é muito grande”, afirmou.

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