Lula sinaliza qual pode ser o papel de Alckmin em eventual novo governo

Petista sugeriu que seu provável vice deve coordenar negociação entre trabalhadores e patrões

Foto: Divulgação/@ricardostuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu na manhã de hoje durante encontro com todas as centrais sindicais brasileiras, em São Paulo, que, se vencer as eleições, o vice-presidente vai comandar mesa de negociação entre trabalhadores e patrões.

Durante o evento, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), que será oficializado como pré-candidato a vice na chapa do petista no próximo dia 7 de maio, bateu palmas para acompanhar o coro puxado pela plateia: “Trabalhador unido jamais será vencido.”

“Vocês que me conhecem sabem que vamos criar uma mesa de negociação. Ela pode ser coordenada pelo vice-presidente. E não pode ser só o vice. Vai ter o dirigente (sindical) e os empresários. Os trabalhadores vão dizer o que precisam e deixem eles (empresários) explicar porque não podem dar”, discursou Lula.

Ao lado do ex-tucano, o petista também defendeu uma reforma tributária para que “os ricos paguem mais imposto”, criticou violência policial contra grevistas e destacou a importância de reorganizar a estrutura sindical.

Durante o encontro, o ex-presidente voltou a repetir a necessidade de implementação de uma reforma tributária que, em seu entendimento, seja mais justa com os trabalhadores.

“Vamos ter que fazer uma reforma tributária, uma reforma que leve em conta que quem ganha mais tem que pagar mais”, disse. “Uma reforma que não permita que, com seu salário de três mil, pague o mesmo imposto de um presidente de banco que vai comprar o mesmo produto”, complementou.

Lula recebeu das centrais sindicais uma pauta unificada com 63 pontos de reivindicação. “O que vocês estão apresentando aqui é quase que um programa de governo, de reconstrução desse país”, afirmou.

Entre as principais propostas sugeridas estão instituição de política de valorização do salário mínimo, estabelecimento de um programa de renda básica e implementação de um marco regulatório de ampla proteção social trabalhista e previdenciária.

O ex-presidente criticou, de maneira genérica, a violência da polícia contra grevistas. “O Estado nunca manda a polícia prender o patrão. Quando o povo faz greve eles colocam a polícia para bater no trabalhador. O Estado não pode ficar só de um lado.” Durante o tempo em que comandou o governo de São Paulo, petistas denunciavam a conduta da polícia comandada por Alckmin em manifestações sindicais.

No encontro, o ex-tucano fez gestos com a cabeça concordando com as declarações de Lula. No seu discurso, repetiu que o momento pelo qual o país passa exige união de todos.

“Quero dizer que estamos num dia histórico, reúnem-se as maiores centrais sindicais do Brasil. É um exemplo e nos remete, Lula, à nossa história. Todas as vezes que o Brasil estava em risco, o país se uniu.” Ele citou o período da derrubada da ditadura e finalizou rendendo homenagem à luta sindical.

“A luta de vocês, a luta sindical, deu ao Brasil o maior líder popular deste país: Lula. Viva Lula. Viva os trabalhadores do Brasil.”

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