Lula lança chapa, adota tom moderado e diz que o Brasil precisa ‘voltar a ser um país normal’

Ex-presidente criticou privatizações e defende a proteção da Amazônia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa no lançamento da pré-campanha da chapa Lula-Alckmin, em São Paulo — Foto: Twitter/PT Brasil
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa no lançamento da pré-campanha da chapa Lula-Alckmin, em maio, em São Paulo (Foto: Reprodução Twitter/PT Brasil)

Num evento marcado por referências às campanhas passadas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alertas sobre os riscos para a democracia e severas críticas ao governo Jair Bolsonaro, o petista lançou neste sábado (7) sua pré-candidatura à Presidência dizendo que o “o Brasil precisa voltar a ser um país normal”. O petista também criticou as privatizações e defendeu a proteção da Amazônia, ressaltando a importância do que chamou de “recuperação da soberania do país” e de medidas para garantir emprego e salário justo.

Batizado de “Vamos Juntos Pelo Brasil”, o encontro na Expo Center Norte, em São Paulo, reuniu lideranças políticas e militantes de todos os partidos que devem apoiá-lo nas eleições e serviu como ato de lançamento oficial da pré-candidatura do ex-presidente.

Escolhido para o posto de vice na chapa, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), diagnosticado com covid-19, participou por meio de um vídeo transmitido em telão.

Em discurso de 47 minutos após uma fala de Alckmin, Lula usou o mote da soberania para criticar o atual governo em diferentes áreas, relembrar feitos de seus dois mandatos (de 2003 a 2010) e fazer promessas. Lula destacou a importância da democracia e da construção de um movimento amplo no país.

Na parte final de sua fala, afirmou que o Brasil precisa voltar a ser um país normal. “É preciso dizer com toda clareza. Para sair da crise, crescer e se desenvolver, o Brasil precisa voltar a ser um país normal, no mais alto sentido da palavra. Não somos a terra do faroeste, onde cada um impõe a sua própria lei”, disse. “Temos a lei maior, a Constituição, que rege a nossa existência coletiva. E ninguém, absolutamente ninguém, está acima dela. Ninguém tem o direito de ignorá-la ou de afrontá-la.”

Na sequência, o ex-presidente afirmou que “é imperioso que cada um volte a tratar dos assuntos de sua competência, sem exorbitar, sem extrapolar, sem interferir nas atribuições alheias”.

Sem fazer menção explícita às críticas e ameaças frequentes de Bolsonaro e apoiadores do presidente ao sistema eleitoral, Lula afirmou: “Chega de ameaças, chega de suspeições absurdas, chega de chantagens verbais, chega de tensões artificiais. O país precisa de calma e tranquilidade para trabalhar e vencer as dificuldades atuais. E decidirá livremente, no momento que a lei determina, quem deve governá-lo”.

Num dos momentos mais fortes do discurso, exclamou: “Queremos voltar para que ninguém nunca mais ouse desafiar a democracia. E para que o fascismo seja devolvido ao esgoto da história, de onde jamais deveria ter saído”.

Privatização de estatais

Ao abordar temas econômicos, Lula voltou a sinalizar oposição à ideia de privatização da Eletrobras, falou em fortalecer bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, e a Petrobras.

“Somos autossuficientes em petróleo, mas pagamos por uma das gasolinas mais caras do mundo. Diesel não para se subir, botijão chegou a R$ 150”, criticou.

Sempre alertando para o que chamou de “recuperação da soberania” do país, Lula também falou sobre o papel das Forças Armadas, embora não tenha citado as instituições militares explicitamente. Segundo ele, a defesa da soberania “não se resume à defesa das fronteiras”.

“É defender riquezas, florestas, rios e garantir direitos da população”, disse o petista. Ele também associou esse mote à defesa de políticas que garantam “emprego, salário justo, direitos trabalhistas, acesso à saúde e educação e política externa altiva”.

Menções ao meio ambiente e, mais especificamente, em defesa da Amazônia vêm ganhando destaque nos discursos de Lula. No evento de hoje não foi diferente. O petista falou em proteger a Amazônia “da política de devastação colocada em prática pelo atual governo”.

Depois de afirmar que os governos petistas reduziram o desmatamento, afirmou que “cuidados com meio ambiente vão além” da defesa da floresta. “É preciso voltar a investir em saneamento básico e cuidar da destinação do lixo. Respeito à fauna, à flora e aos seres humanos”. Trata-se, segundo Lula, de um “desafio planetário”.

“Temos muito a aprender com os povos indígenas. Garantir a posse de suas terras e agora estão vendo suas terras invadidas por garimpeiros e madeireiros”, disse. “Nunca um governo como este estimulou tanto o preconceito, a discriminação e a violência.”

Alckmin

O ex-presidente deixou para falar de Alckmin na parte final de seu discurso. Disse ter “muito orgulho” de ter o ex-adversário político como companheiro de chapa e justificou a união afirmando que “o grave momento que o país atravessa nos obriga a superarmos divergências para combater a incompetência e o autoritarismo”.


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