Governo quer registrar venda da Eletrobras nas bolsas de NY e SP na próxima semana

Após aprovação do TCU, objetivo é tentar acelerar o processo e garantir a privatização da empresa até 15 de junho

Fundos para participar da privatização da Eletrobras têm taxas de administração de zero a 1% (Foto: Brendan McDermid/Reuters)

O governo quer registrar venda da Eletrobras nas bolsas de Nova York e São Paulo na próxima semana. A documentação está pronta para este primeiro passo concreto para desestatizar a empresa. Segundo integrantes do governo que participam da operação, só falta a publicação do acórdão pelo TCU, que autorizou, nesta quarta-feira, a privatização da estatal, por 7 votos a 1.

O objetivo do governo é concluir a desestatização até 15 de junho. Isso evitaria que a operação sofra com a proximidade das eleições e seja impactada ainda mais com a piora do cenário financeiro global. Além disso, aproveitaria o fim da fase de grandes investimentos dos fundos internacionais, mais concentrados no primeiro semestre.

O primeiro passo prático para a privatização será protocolar a operação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e na SEC (reguladora do mercado americano). O documento contará com a proposta de venda do controle da Eletrobras detalhada, conforme o modelo de privatização já desenhado pelo BNDES e chancelado pelo TCU.

Também será construído o chamado book de ofertas, processo de formação de preços dos ativos, baseados na avaliação feita pela empresa e na demanda por parte do mercado. Nessa fase, o governo fará um road show internacional com os investidores.

Alívio e alegria

A equipe econômica recebeu a decisão do TCU com alívio e “alegria”, conforme definiu um integrante do governo. Em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) agradeceu ao Tribunal de Contas da União (TCU), indicando que a decisão coroa o esforço de todos os que trabalharam no processo de privatização da Eletrobras.

“O MME tem a convicção de que o processo foi extremamente escrutinado, culminando com a decisão mais fundamentada e ponderada entre os processos de privatização do país”, diz a nota.

O ministro das Minas e Energia, Adolfo Sachsida, comentou a aprovação do TCU em uma rede social.

“Trata-se de um dia histórico para o Brasil. O MME permanece comprometido em cumprir, de forma diligente e tempestiva, as próximas etapas do processo. Com a graça de Deus vamos em frente”.

Prontidão jurídica

Segundo técnicos do governo, a Advocacia-Geral da União (AGU) ficará de prontidão para derrubar eventuais ações judiciais contra a operação em todo o país.Integrantes do governo correm contra o tempo para concluir todo o processo de venda do controle da empresa até 15 de junho.

O modelo da privatização prevê transformar a companhia em uma corporação, sem controlador definido, após uma oferta de ações que não será acompanhada pela União. Sem acompanhar a capitalização, o governo tem sua participação diluída para menos de 50% e perde o controle das empresas.

Impacto de R$ 67 bilhões

No total, o governo calculou em R$ 67 bilhões os valores relacionados à privatização, mas nem tudo vai para os cofres públicos, e estes valores ainda serão revistos. Desse valor, R$ 25,3 bilhões serão pagos pela Eletrobras privada ao Tesouro, neste ano, pelas outorgas das usinas hidrelétricas que terão os seus contratos alterados.

Pelo plano do governo, serão destinados ainda R$ 32 bilhões para aliviar as contas de luz a partir deste ano por meio do fundo do setor elétrico, a Conta de Desenvolvimento Energética (CDE). O restante vai para a revitalização de bacias hidrográficas do Rio São Francisco, de rios de Minas Gerais e de Goiás, e para a geração de energia na Amazônia.

Inicialmente, o objetivo era realizar o leilão no dia 13 de maio, o que não ocorreu porque o processo emperrou no TCU. Esse era o prazo limite por causa de prazos de divulgação de informações financeiras no mercado americano, onde a estatal tem seus papéis negociados.

Como isso não se concretizou, o governo trabalha para viabilizar o plano B, com a privatização para o fim de julho ou começo de agosto. Mas há desconfiança dentro do próprio governo de que isso possa acontecer, já que esse é um período mais turbulento no mercado e há o risco de que esse prazo apertado afaste investidores estrangeiros.

Com conteúdo do jornal digital O Globo


Você também pode gostar
JOTA Atualizado em 24.jun.2022 às 21h08
ANÁLISE: Por que suspeita sobre Bolsonaro vazar informações para Milton Ribeiro não deve ter consequências jurídicas?

Outros casos de suspeita de corrupção e de interferência na PF envolvendo o presidente não avançaram na Justiça, diz Felipe Recondo, do JOTA

Redação IF Publicado em 24.jun.2022 às 18h45
Diesel e gasolina sobem e preços nos postos atingem recorde histórico, diz ANP

Diesel sobe pela terceira semana seguida. Gasolina inverteu movimento de queda e teve nova alta

Redação IF Atualizado em 24.jun.2022 às 17h58
Como o TikTok se tornou uma máquina de fazer dinheiro?

Plataforma vai triplicar receita publicitária este ano, para US$ 12 bi e ainda amplia ganho de tiktokers, avança em games e e-commerce

Papo de Finanças Publicado em 24.jun.2022 às 17h04 Duração 8 min.
Como ter segurança nos investimentos?

Você está se sentindo aflita com tanta instabilidade na economia? Nina Silva explica o que fazer em momentos tão tensos

Redação IF Publicado em 24.jun.2022 às 12h57
Dólar apresenta volatilidade e bate R$ 5,27 na máxima

Moeda americana opera sem uma tendência definida

Redação IF Publicado em 24.jun.2022 às 12h53
Inflação e baixa renda inibem recuperação do consumo no Brasil

Indicador da FGV mostrou uma melhora da confiança entre as faixas de maior poder aquisitivo

JOTA Publicado em 24.jun.2022 às 12h39
Projeto transforma créditos de ICMS em ativos virtuais para negociação

Proposta tenta incentivar as exportações no país; especialista afirma que projeto é importante, mas ainda imaturo

Redação IF Publicado em 24.jun.2022 às 11h46
Manhã Inteligente Publicado em 24.jun.2022 às 11h15 Duração 19 min.
Demissões na Netflix, queda dos IPOs no Brasil, indicadores dos EUA abaixo da expectativa

O Manhã Inteligente de sexta (24) está disponível sob demanda por aqui na IF, LinkedIn e YouTube