Polícia Federal amplia investigações contra crimes envolvendo criptoativos

Cerca de 7 mil ativos digitais já foram apreendidos

cropped-Criptomoedas_ilustra-1.jpg

Pontos-chave

  • Entre 2019 e 2020 houve um crescimento de 250% nas investigações sobre criptoativos
  • Os prejuízos aos investidores são estimados em mais de R$ 17 bilhões

A Polícia Federal (PF) pretende ampliar as investigações contra crimes financeiros envolvendo criptoativos no país. As investigações relacionadas a crimes financeiros já apreenderam cerca de 7 mil criptoativos, num total estimado de R$ 2 bilhões. Nessas investigações, a Polícia Federal concluiu que características peculiares dos criptoativos, bem como a inexistência de uma legislação sobre o tema e a ausência de ferramentas de rastreio em fontes abertas, estariam fomentando a utilização desses ativos por parte de organizações criminosas.

Investigações policiais aumentaram 250%

Tomando por base os trabalhos de repressão aos crimes financeiros na Polícia Federal, entre 2019 e 2020 houve um crescimento de 250% nas investigações policiais que envolveram de alguma forma criptoativos. O número de operações deflagradas subiu de 125% entre 2020 e de 2021.

Em 2018, apenas um Estado teve investigações relacionadas a criptoativos. Já em 2021, a temática passou a ser observada em praticamente todas as unidades regionais da Polícia Federal: 22 Estados.

Crimes envolvendo criptoativos são diferentes

A Polícia Federal enfatiza que os crimes praticados com a utilização de criptoativos são de diferentes modalidades. Eles vão desde evasão de divisas e fraudes cibernéticas até lavagem de dinheiro. Dentre eles, há uma maior incidência de uso de tais ativos para os delitos de instituição financeira não autorizada e para gestão fraudulenta.

Apenas em três operações realizadas pela Polícia Federal – Kriptos, Quéfren e Deamon — contra atuação denominada como indevida de grupos no mercado financeiro foram dissolvidas três pirâmides financeiras bilionárias, com prejuízos estimados aos investidores de mais de R$ 17 bilhões.

Novas operações ainda neste ano

Neste ano, a Polícia Federal já deflagrou seis operações policiais contra crimes financeiros envolvendo criptoativos, com o cumprimento de cerca de oito mandados de prisão e 25 de busca e apreensão. Há previsão de várias outras operações nesta área em 2022.

Operações são de difícil controle

Na avaliação da Polícia Federal, o manuseio de criptoativos pode permitir transações instantâneas, que ocorrem internacionalmente, de difícil controle, atraindo estruturas criminosas organizadas para ocultar e dissimular recursos oriundos da prática de crimes.

Segundo a Polícia Federal, o uso de criptoativos “vem inclusive paulatinamente servindo como alternativa aos criminosos que anteriormente atuavam com doleiros e praticavam o conhecido sistema de transferência descrito como ‘hawala’, com a remessa internacional de dinheiro por fora do sistema financeiro, por meio de compensações de contas bancárias em países diversos”.

“Agora, a transferência internacional de criptoativos pode ser ainda mais perniciosa, instantânea e de difícil detecção, caso não haja ferramentas e técnicas de investigação adequadas para o enfrentamento de tal realidade”, disse ao Valor o delegado Christian Robert Wurster, chefe da divisão de repressão à lavagem de dinheiro na Polícia Federal.

Dinheiro de corrupção convertido em criptoativos

Para os policiais ligados ao combate à corrupção, propinas recebidas em dinheiro podem ser rapidamente convertidas em criptoativos, bastando os criminosos possuírem uma rede de confiança que atue com ativos digitais, e remetidas para o exterior.

“Tendo em vista que o fenômeno do uso de criptoativos é relativamente recente e cuja compreensão de funcionamento possui certa complexidade, a Polícia Federal vem identificando números que revelam tendência de crescimento do uso de tais moedas na prática de crimes, em especial no crime organizado, crimes financeiros e lavagem de dinheiro”, ressaltou.

PF não identifica todos os casos

Mesmo com episódios recentes de bloqueios de criptoativos em algumas operações, a Polícia Federal alertou que nem todos os casos são identificados. Além de limitações devido à falta de regulamentação, as investigações esbarram também em dificuldades tecnológicas para identificação e rastreamento de ativos digitais suspeitos de estarem ligados a crimes.

“A PF vem se esforçando para fazer frente a essa nova modalidade de prática criminosa, tentando superar essas dificuldades para melhor combater a criminalidade neste aspecto, procurando inclusive angariar conhecimento e adquirir ferramentas de identificação e rastreamento que venham colaborar com este objetivo”, disse a delegada da PF, Aline Pedrini Cuzzuol, chefe da divisão de repressão a crimes da Polícia Federal.

Aperfeiçoamento das investigações depende de investimento

Segundo a Polícia Federal, o aperfeiçoamento das investigações exige investimento financeiro e em capacitação para seguir as práticas de órgãos de investigação internacional. Com isso, os policiais poderão aumentar a capacidade investigativa de identificar titulares de criptoativos utilizados em decorrência de práticas criminosas, bem como de apreendê-los, reduzindo as brechas que permitem a atuação de criminosos utilizando criptoativos.

Com conteúdo VALOR PRO, o serviço de informação em tempo real do Valor Econômico


Você também pode gostar
Redação IF Atualizado em 30.jun.2022 às 18h54
Ibovespa cai 11,50% em junho no pior mês para o mercado local desde março de 2020

Índice perde 5,99% no primeiro semestre; destaque no pregão de hoje, Fleury disparou 16,1% após assinar acordo de fusão com Pardini, que subiu 18,99%

Redação IF Atualizado em 30.jun.2022 às 19h10
S&P 500 registra pior primeiro semestre desde 1970, Nasdaq cai quase 30% no semestre

O índice Nasdaq, que reúne empresas não financeiras e as de tecnologia, caiu mais de 20% nos últimos três meses, seu pior desempenho desde 2008

José Eduardo Costa Atualizado em 30.jun.2022 às 18h59
Bitcoin registra sua pior perda trimestral em mais de uma década

No final da tarde desta quinta-feira o bitcoin registrava baixa de 58% de seu valor no segundo trimestre de 2022, a pior queda trimestral em mais de uma década

Redação IF Publicado em 30.jun.2022 às 15h17
Dólar apaga ganhos e fica abaixo dos R$ 5,20

Moeda americana chegou a R$ 5,27 na máxima do dia