Medo com fiscal e recessão supera otimismo com commodities, e Ibovespa fecha na pior pontuação para o ano

O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,89%, aos 102.122 pontos

A média da métrica P/L das empresas do Ibovespa está no menor patamar desde a crise de 2008 (Foto: Pixabay)

O medo de uma recessão e do aumento de gastos no Brasil – além da perspectiva de avanço na retirada de estímulos econômicos nos Estados Unidos –, superou o otimismo com as perspectivas para as matérias-primas, principais produtos de exportação do país, e a Bolsa de Valores passou a cair na tarde desta segunda-feira (22).

O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão em queda de 0,89%, aos 102.122 pontos, o pior patamar de fechamento para o ano. O volume negociado durante a sessão foi de R$ 19,6 bilhões. As ações da Vale tiveram a maior alta do dia e as ações das varejistas, foram novamente penalizadas pela escalada da inflação.

A ação da Vale disparou 5,56%, para R$ 67,59, depois de o metal ter uma alta de 4,3% hoje, para US$ 95,63 a tonelada, no porto chinês de Qingdao, referência mundial. A expectativa de que Pequim volte a estimular a economia vem impulsionando os preços das commodities no mercado internacional. A Bradespar, que tem uma fatia de 5,73% na mineradora, avançava 4,46%, para R$ 48,03.

Entre as maiores baixas do índice, estava a ação da Lojas Americanas. A varejista perdeu 6,79%, cotada a R$ 5,49, depois que os especialistas do mercado financeiro aumentaram sua previsão para a inflação e diminuíram a projeção para o PIB (Produto Interno Brito) neste ano.

Logo cedo, o Banco Central divulgou os resultados da pesquisa semanal Focus, com analistas. A mediana das projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu pela 33ª semana consecutiva, para 10,12%. Há quatro semanas estava em 8,96%, mas a sensação dos especialistas é de que os preços saíram de controle.

A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) foi cortada pela 6ª semana seguida, para 4,8%. Para o câmbio e para os juros, ficaram estáveis em R$ 5,50 e 9,25% ao ano, respectivamente.

As ações brasileiras também perderam força com as atualizações sobre a PEC dos Precatórios, em trâmite no Senado. Nova projeção do governo estima que a medida irá disponibilizar R$ 106,1 bilhões para gastos dentro do Orçamento em 2022, acima do inicialmente previsto. Apesar da grandes promessas do governo —como o reajuste dos servidores e o auxílio caminhoneiro—, apenas R$ 1,1 bilhão estariam disponíveis para gastos sem ser com despesas obrigatórias, como aposentadorias, e com o Auxílio Brasil (novo Bolsa Família).

Além disso, a decisão do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de reconduzir o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, ao cargo trouxeram alívio na questão monetária americana, que segue com um plano de voo. Por outro lado, Powell tem dito que os EUA estarão próximos do pleno emprego já no ano que vem, o que significa que os planos de retirada de estímulos continuarão avançando, assim como a escalada dos juros. Com isso, há uma tendência dos grandes investidores estrangeiros buscarem ativos mais seguros, como as treasuries (títulos do Tesouro dos Estados Unidos). Com isso, diminui o fluxo de entrada (de capitais) em mercados emergentes, como o Brasil.


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