Semana de 22 e bicentenário da Independência inspiram Festival Sesc de Música de Câmara

Quarta edição do evento reúne cameristas brasileiros e intérpretes estrangeiros em 34 concertos

O grupo dinamarquês Corion faz música de câmara de uma maneira inventiva. Foto: Jānis Porietis/Divulgação

O Sesc realiza, a partir desta semana até o dia 26 de junho, a 4a edição do Festival Sesc de Música de Câmara, que reúne cameristas brasileiros residentes no Brasil e no exterior, intérpretes estrangeiros e jovens músicos em vias de profissionalização em 34 concertos e oito ações educativas. A edição deste ano vai ter como fios condutores o centenário da Semana de Arte Moderna e o bicentenário da Independência do Brasil.

Neste ano, o evento conta com oito atrações que irão circular pelas unidades do Sesc Consolação, Sesc Guarulhos e Sesc Mogi das Cruzes na Grande São Paulo e, no interior, o festival passará pelos Sesc de Sorocaba, Jundiaí e Ribeirão Preto. Com curadoria da consultora de políticas públicas para música, Claudia Toni, e do pianista Cristian Budu, o festival pretende dar visibilidade a propostas sonoras variadas como quarteto de cordas, trios instrumentais, quarteto de violões, canções de câmara e até coro e orquestra.

Segundo Toni, o festival surgiu e tem buscado se manter como uma alternativa para a escuta dos ouvintes de hoje. “O contato excessivo com uma produção bem pouco imaginosa e criativa, base da música comercial de hoje, tem formado ouvintes pouco exigentes e espalhado música de qualidade duvidosa”, afirma ela, que idealizou o festival e é curadora desde a primeira edição. “Nosso festival quer oferecer outras perspectivas, outras formas de fazer música, todas elas ricas em sonoridade, invenção e novidade.”

Na presente edição, os concertos trazem, na escolha de compositores e intérpretes, temas atuais como a representatividade e a diversidade. Os espetáculos serão protagonizados pelo quinteto de sopros dinamarquês Carion; o ensemble de cordas Ilumina Music; o quarteto de violões Maogani; o conjunto Sampaensemble; o Quarteto Carlos Gomes; a orquestra de cordas São Paulo Chamber Soloists com Gabriele Leite e Cristian Budu como solistas; Baderna Moderna, conjunto de câmara que faz um programa especial para crianças e famílias; e um espetáculo que reúne Osusp, o Coro dos Meninos Cantores de Hamburgo e solistas sob a regência de Luiz de Godoy.

O centenário da Semana de Arte Moderna será lembrado no concerto do Quarteto Carlos Gomes, que interpreta o Quarteto n. 3 de Villa-Lobos, uma das obras do compositor carioca que foram apresentadas no célebre evento. Já o bicentenário da Independência estará presente através da execução da Missa de Santa Cecília, do padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), mais importante compositor brasileiro de sua época. Escolhida pelo regente paulista radicado na Europa Luiz de Godoy, a obra, escrita em 1826 para quatro solistas vocais, coro e orquestra, é raramente executada. No festival, Luiz de Godoy comanda a Osusp, membros do Coletivo Jeholu e os Meninos Cantores de Hamburgo, coro do qual é regente titular e que vem ao Brasil especialmente para o evento.

Um dos ingredientes que formam o espírito do festival é o comissionamento de uma obra a autores brasileiros. Nesta edição, três novas obras e um arranjo serão estreados. A São Paulo Chamber Soloists, que interpreta o Concerto n. 3 de Beethoven em versão para quinteto de cordas e piano (com Cristian Budu como solista), estreia uma obra de João Luiz Rezende Lopes para violão e cordas, com solos de Gabriele Leite. Já o Ilumina Music, que integra jovens intérpretes a solistas experientes de várias partes do mundo, apresenta pela primeira vez “Iluminuras”, de André Mehmari, bem como toca outras peças de autores e autoras contemporâneos.

Um dos destaques do festival são os violonistas do grupo Maogani que trazem de volta a música popular, feita com um caráter camerístico particular e próprio do Brasil, num repertório que vai de Villa-Lobos e Ernesto Nazareth a Gilberto Gil e Milton Nascimento. O grupo dinamarquês Corion faz música de câmara de uma maneira inventiva. Seus músicos tocam de pé, memorizam as peças e se movimentam pelo palco, buscando aproximar artistas e público. O programa que interpretam vai do século XIX ao XXI e inclui um arranjo de “Gaúcho (Corta-Jaca)”, de Chiquinha Gonzaga, encomendado pelo Festival ao compositor Rodrigo Morte.

Os espetáculos possuem ingressos de R$ 12 a R$ 40. Veja aqui a programação completa do festival.


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