Rússia é excluída de índices de mercados emergentes

MSCI anuncia retirada do país de seus índices após consulta a investidores

Problema financeiro global do Coronavirus
Mercado repercutiu dados inflacionários nesta quarta (Foto: Getty Images)

A fornecedora global de índices MSCI anunciou nesta quinta-feira (3) que irá retirar a Rússia da composição de seu índice referencial de mercados emergentes. De acordo com a companhia, os índices MSCI de ativos russos serão reclassificados de “mercados emergentes” para “mercados standalone” (independentes, isolados, na tradução do inglês). A mudança deve ser implementada na próxima quarta-feira (9).

A MSCI revelou que, em 28 de fevereiro, fez uma consulta a investidores institucionais internacionais sobre a acessibilidade e a capacidade de investimento no mercado acionário russo. De acordo com a companhia, o resultado contou com ampla participação de agentes do mercado, “com uma maioria esmagadora confirmando que o mercado de ações russo atualmente não é possível de se investir e que os ativos russos deveriam ser removidos dos índices de mercados emergentes da MSCI”.

Ainda segundo os consultados, a Rússia não atende mais os requisitos de classificação da MSCI para mercados emergentes.

A fornecedora de índices diz que continuará a monitorar os desenvolvimentos do mercado e que poderá emitir orientações adicionais ou mudanças para índices específicos, caso seja necessário.

Fluxo para emergentes

De acordo com o Itaú BBA, até ontem (2), a Rússia representava 1,47% do índice de emergentes MSCI EM Index. Brasil era 4,97%, México, 2,02% e China, 31%. Em fevereiro, antes da última revisão trimestral do índice a Rússia tinha uma participação maior, de 3,41%.

“Parte do impacto da decisão do MSCI de praticamente remover o país do índice EM já foi sentido, dadas as atuais ações de preços dos constituintes do índice russo. No entanto, a participação atual de 1,47% resultaria em novas saídas de US$ 5,9 bilhões de investidores passivos e US$ 21,2 bilhões de investidores ativos. Normalmente, olhamos apenas para os fluxos de investimentos passivos, pois eles devem seguir os pesos atuais do índice, enquanto os investimentos ativos não precisam – mas como a Rússia praticamente será removida do índice, acreditamos que é importante mostrar também os fluxos potenciais ativos”, diz a equipe do banco em relatório.

De acordo com cálculos do Itaú, seguindo o peso atual da América Latina no índice (9,33%), a região pode ver entradas de cerca de US$ 2,12 bilhões, o que resultaria no Brasil recebendo US$ 1,34 bilhão (US$ 292 milhões passivos, US$ 1,05 bilhão ativos).

“Não é apenas a Rússia que está sendo reavaliada quando essa tempestade atinge a comunidade de investimentos – a China e outros países asiáticos também apresentam alguns novos riscos”, diz o banco, o que poderia beneficiar a América Latina, apesar da região não ser livre de riscos.

“Olhando para pesos e valorizações, não podemos deixar passar despercebida a oportunidade que a região apresenta. O Brasil está sendo negociado a apenas 7x o P/L a termo, enquanto a América Latina está sendo negociada a 8,7x. O México se apresenta como o nome mais caro da região (o que acreditamos ser merecido), com 13,7x o lucro, mas esse múltiplo ainda está abaixo de sua média histórica.”

Segundo o banco, a Índia é negociada a 20,7x o P/E a termo, enquanto a Arábia Saudita e Taiwan estão em 19x e 14x, respectivamente. A avaliação atual da China é de 11x P/L.

“Acreditamos que, no atual ambiente geopolítico, a atenção dos investidores pode se deslocar para a região da América Latina, que não apenas oferece avaliações baratas, mas está sob seu peso histórico há algum tempo.”

(Com Valor Econômico)


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