Ibovespa fecha em alta, na contramão do exterior; dólar cai a R$ 5,16

Ações de bancos e commodities sustentaram a Bolsa no azul e garantiram terceiro ganho semanal consecutivo

Investidores observam painel no prédio da Bolsa de Valores em São Paulo
Pessoas observam painel eletrônico da da Bolsa de Valores, com gráfico do Ibovespa (Foto: Marco Ankosqui/Agência O Globo)

O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (5) com as ações de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) indo bem no pregão. O índice subiu 0,55%, para 106.471 pontos e garantiu a terceira alta semanal consecutiva. Já o dólar caiu 1,03% ante o real, negociado R$ 5,1689. No início da sessão, a moeda subia e chegou a ser negociada a R$ 5,27.

Os investidores repercutiram o anúncio de vagas de trabalho criadas nos Estados Unidos em julho, que veio muito acima do esperado pelo mercado. Os EUA criaram 528 mil vagas de trabalho no mês passado, segundo o Departamento de Trabalho do país. Economistas ouvidos pelo The Wall Street Journal esperavam a criação de 258 mil postos. 

Apesar de boa notícia para o mercado de trabalho, o dado traz muita preocupação sobre a inflação. Com mais pessoas com renda recorrente, a pressão sobre os preços aumenta e a perspectiva de que o Federal Reserve (o banco central dos EUA) pudesse ser menos agressivo na alta dos juros fica mais longe. 

Os principais índices acionários dos Estados Unidos fecharam sem direção única em queda, com S&P 500 caindo 0,2%, Dow Jones fechando em alta de 0,17% e Nasdaq Composite perdendo 0,54%.

As bolsas europeias fecharam em queda após o payroll. O índice Stoxx 600 caiu 0,76%, o FTSE 100, de Londres, recuou 0,11%, o Dax, de Frankfurt, fechou em queda de 0,35% e o parisiense CAC 40 caiu 0,63%.

Destaques do Ibovespa

Apesar do mau humor lá fora, a Bolsa brasileira foi sustentada por ganhos de suas principais ações. Os papéis da Vale (VALE3), com maior peso no Ibovespa, subiram 1,3% depois de dias difíceis para mineradoras na B3. CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4) também fecharam em alta, recuperando as perdas de sessões anteriores.

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 1,93% em dia positivo para o petróleo tipo Brent. Os contratos futuros da commodity fecharam em alta de 0,85% depois de forte queda na véspera. O barril agora vale US$ 94,92.

Os papéis do Bradesco (BBDC4) subiram 1,2% depois que o lucro da empresa no segundo trimestre superou a estimativa de analistas. Itaú (ITUB4) fechou em alta de 1,88%, Banco do Brasil (BBAS3) subiu 1,86% e Santander (SANB11) avançou 1,92%.

Na ponta negativa, destaque para as ações da Alpargatas (ALPA4), que despencaram 13,54% depois do anúncio de queda de 5% no volume de vendas na operação internacional no segundo trimestre, o que decepcionou o mercado.

Os papéis da Eletrobras (ELET3, ELET6) fecharam em queda (0,39% e 0,52%, respectivamente) após acionistas elegerem a chapa única proposta para integrar o novo conselho de administração da companhia.

Resumo da semana

Com o resultado desta sexta, o Ibovespa fechou a semana em alta de 3,2%. É a terceira semana consecutiva que o índice acionário termina com ganhos.

No câmbio, o movimento do dólar hoje zerou a alta da semana e a moeda acumulou variação negativa de 0,07% ante o real.  Em 2022, o dólar perde 7,26% contra a moeda brasileira.

A notícia mais importante dos últimos dias foi o aumento da taxa de juros do Brasil em 0,5 ponto percentual, para 13,75%. Os mercados acionário e de câmbio reagiram bem ao anúncio do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que sinalizou aumento de menor magnitude na próxima reunião, em setembro. 

No início da semana, investidores de todo o mundo se preocuparam com o PMI (índice de gerentes de compras, na sigla em inglês) industrial dos EUA, que caiu para 52,8 pontos em julho ante leitura de 53 pontos no mês anterior. A China também reportou dados fracos: o PMI da indústria chinesa caiu 1,2 ponto em julho ante o mês anterior. Uma medição abaixo de 50 pontos indica contração do setor e o mercado se preocupou porque especialistas estimavam uma leitura em 50,4 pontos. 

A notícia pressionou o minério de ferro e as ações de empresas ligadas à commodity, como Vale, Gerdau, Usiminas e CSN. 

Nas commodities, o petróleo foi destaque negativo. Isso porque os preços do Brent, cotação relevante para Petrobras, PetroRio e 3R Petroleum, caíram 13,72% na semana, que foi a pior para a commodity desde a primeira semana de abril.