Juros curtos recuam após IPCA-15; juros intermediários e longos avançam

A taxa do DI para janeiro de 2023 caiu de 12,15% no ajuste anterior para 12,115% e a do DI para janeiro de 2027 foi de 11,73% para 11,80%

Dividendos
– Ilustração: Renata Miwa

Os juros curtos tiveram quedas leves após os dados do IPCA-15 de novembro considerados sem surpresas pelos agentes financeiros, mas as taxas futuras de médio e longo prazo se estabeleceram em alta na última hora da sessão regular desta quinta-feira (25) e fecharam exibindo avanços.

No fim do pregão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 caiu de 12,15% no ajuste anterior para 12,115% e a do DI para janeiro de 2024 subiu de 11,97% para 11,99%. Já a taxa do DI para janeiro de 2025 avançou de 11,83% para 11,86% e a do DI para janeiro de 2027 foi de 11,73% para 11,80%.

A percepção de que a comunicação do BC deixou de enfatizar o compromisso de levar a inflação de volta ao centro da meta em 2022 fez a curva ganhar inclinação nesta quinta-feira. Durante boa parte do dia, as taxas futuras caíram ao longo de toda a estrutura a termo da curva, mas com mais intensidade na ponta curta. Na reta final do pregão, porém, embora o risco fiscal tenha embutido um viés de alta, os juros longos passaram a subir, enquanto os curtos se mantiveram em queda, o que conferiu maior inclinação à curva, embora continue invertida. No fim da sessão regular, a diferença entre as taxas de dez e de dois anos passava de -32 pontos-base para -23 pontos-base.

Mesmo após o IPCA-15 de novembro superar as estimativas do mercado, a visão consensual continua a ser de uma elevação de 1,50 ponto na Selic em dezembro, embora apostas em uma aceleração do ritmo continuem sobre a mesa. No mercado de opções digitais, na B3, a possibilidade de uma alta de 1,50 ponto no juro básico em dezembro subiu de 57% para 65%, enquanto a chance de uma elevação de 2 pontos caiu de 20% para 16%.

“Os recentes desenvolvimentos fiscais, a deterioração das expectativas de inflação e o aumento dos prêmios de risco fiscal e político deterioraram o balanço de riscos para a inflação. Diante desse cenário e dos resultados do IPCA de outubro e do IPCA-15 de novembro acima do do consenso, esperamos que o Copom entregue uma alta de pelo menos 150 pontos-base na Selic, para 9,25%, na reunião de 8 de dezembro”, afirma o chefe de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos. Para ele, a probabilidade do BC conseguir levar a inflação para o centro da meta em 2022 (3,5%) é, neste momento, “muito baixa”.

Na reta final do pregão, os juros do “miolo” da curva e da ponta longa passaram a subir em meio a incertezas quanto ao andamento da PEC dos Precatórios no Senado. Os agentes se mostraram atentos a informações do jornal “O Globo” de que o Planalto prevê uma derrota em relação ao projeto. Durante a tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD–MG), disse que não podia garantir que a PEC teria sua tramitação concluída na Casa na próxima semana.

O economista Antonio Madeira, da MCM Consultores, lembra, adicionalmente, que o Tesouro Nacional voltou a elevar a oferta de títulos prefixados pela terceira semana seguida e que continua com a política de aumentar gradualmente a oferta de LTNs, especialmente as de prazo mais longo. “Como hoje a liquidez está reduzida, o mercado de DI fica um pouco mais pressionado com os investidores buscando ‘hedge’ para os títulos por ali, gerando leve pressão altista na curva do trecho de janeiro de 2024 para frente”, afirma o profissional.

Hoje, o Tesouro vendeu 94% do lote de 6,5 milhões de LTNs. Houve oferta de 3,5 milhões de papéis com vencimento em 2025, mas o Tesouro não conseguiu colocar integralmente e vendeu 3,1 milhões de títulos a uma taxa máxima cujo prêmio em relação ao DI ficou acima do consenso do mercado, de acordo com dados da Renascença DTVM.


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