‘Investir no exterior não é só uma questão de proteção, mas porque é bom mesmo’, diz gestora

Sara Delfim, da Dahlia, avalia que diversificar a carteira é a chave para enfrentar a turbulência prometida para o ano

Sara Delfim, da Dahlia: investidor pode “surfar na onda da volatilidade” — Foto: Leo Pinheiro/Valor

Os fundos de investimento tiveram um ano desafiador em 2021, mas, com proteção e diversificação, o investidor deve respirar mais aliviado em 2022. Essa é a avaliação da sócia e gestora da Dahlia Capital, Sara Delfim. O “baralho” de acontecimentos, como classifica a especialista, proporcionou riscos e oportunidades que devem se intensificar, sobretudo no segundo semestre deste ano.

Ela citou os principais pontos de atenção em 2022. “Talvez a gente mude a bandeira da conta de luz nos próximos meses, então o custo da energia vai cair. Outra coisa a se monitorar é o preço do petróleo, que deve permanecer em níveis estáveis e vai influenciar na inflação. Essa janela de melhora inflacionária, que pode acontecer em dois ou três meses, vai fazer o BC acabar com esse aumento de juros. Acredito que essa é uma inflação de oferta, não de demanda, o que deve ir se acomodando com o tempo. Mas é preciso tempo para que tudo se firme”, disse na live do Valor.

As reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, portanto, são outro ponto a se monitorar, assim como as eleições presidenciais. Para Delfim, o ciclo de alta de juros iniciado pela autoridade monetária pode não se estender muito por 2022, já que acredita que a inflação deve começar a arrefecer. “Um reequilíbrio no preço do petróleo e essas chuvas podem levar o BC a pisar no freio com as altas dos juros.”

Quanto às eleições, a recomendação da gestora é “surfar na onda da volatilidade”. O evento, que historicamente agita o mercado, não deve afetar quem está protegido pela diversificação. “A vitória de candidato A ou B não deve mudar muito o rumo das coisas. A sociedade está mais atenta e as tecnologias acabaram ajudando muito o brasileiro a amadurecer politicamente. A vontade é que se tenha um processo transitório suave.”

No cenário global, a mudança de política do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, e a provável reaceleração da economia da China após a Olimpíada de Inverno também devem contribuir para uma melhora, avalia.

Para fugir da turbulência prometida para 2022, a gestora recomenda diversificação, o que inclui investir dentro e fora do Brasil. “Investir no exterior não é só uma questão de proteção, mas porque é bom mesmo. Vale exportar parte da poupança do brasileiro para essas grandes economias, como os Estados Unidos, porque, apesar das boas perspectivas que citei antes, o ano é de muitos acontecimentos”.

Apesar de a bolsa brasileira estar decepcionando nos últimos meses, Delfim não recomenda sair da renda variável. “Dá para ter o que há de melhor no Brasil e o que há de melhor no exterior também. Montar sua carteira com o que você acha que tem de melhor, de olho no ‘valuation’, fazer uma busca fundamentalista e achar simetrias entre as opções que temos aqui.”

A recomendação é seguida à risca pela Dahlia Capital. “Quando a gente olha o que é exposição de bolsa, temos carteira diversificada em vários setores e em várias empresas. Quando a gente olha para outros ativos também são posições diversificadas, com renda no exterior, renda fixa, commodities, moedas. A gente mantém a diversificação porque o imprevisível pode acontecer a qualquer momento, a exemplo de 2020, que não estava no radar que teríamos uma pandemia duradoura como essa”.


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