Inflação bate os principais investimentos em 2021; veja quais foram a exceção

Levantamento traz a rentabilidade dos ativos no ano em comparação com a inflação

Bitcoin
Foto: Pixabay

A forte inflação de 2021 corroeu os ganhos das principais aplicações dos brasileiros. De acordo com levantamento do buscador de investimentos Yubb, apenas o bitcoin, o ethereum e ações americanas conseguiram superar o aumento dos preços neste ano.

As criptomoedas se popularizaram ainda mais em 2021, conquistando novos investidores, especialmente institucionais, como fundos, e registraram ganhos acima de 70%, enquanto o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), conhecido como a inflação do aluguel, saltou 17,78%,

Já o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), inflação oficial do Brasil, deve acabar o ano com uma alta de 10,02%, de acordo com o último boletim Focus. Esta deve ser a inflação mais alta desde 2015, quando o IPCA subiu 10,67%. O IPCA-15, sua prévia, terminou a 10,42%.

“O fechamento de 2021 evidenciou a insegurança dos investidores nacionais e internacionais com relação aos ativos de risco brasileiros, o que fez com que as ações brasileiras (Ibovespa e Small Caps) finalizassem o ano na pior performance do ranking e muito abaixo dos índices de inflação”, diz Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb.

O dólar também se valorizou ante o real, especialmente com a discussão de mudanças no Orçamento que podem colocar em risco a saúde fiscal do país, furando o teto de gastos e enfraquecendo o real. O dólar comercial terminou o ano a R$ 5,5748 e o turismo, a R$ 5,7817.

Outros pontos que pesaram contra os investimentos foram a crise hídrica, a instabilidade política e o enfraquecimento da atividade econômica.

Para 2022, a Órama prevê o dólar comercial entre R$ 5,50 e R$ 5,70, “com eventuais exageros para cima”.

“Esta será uma das principais variáveis a serem monitoradas, pois excessos podem impactar a inflação, que já está elevada e é uma das grandes preocupações de 2022”, escreve a equipe da corretora em relatório.

Para o Ibovespa, a casa espera uma valorização até 130 a 134 mil pontos ao fim de 2022 —o principal índice da Bolsa de Valores terminou 2021 a 104.822 pontos. “Os preços das principais companhias negociadas estão muito deprimidos”, escrevem Sandra Blanco, Alexandre Espirito Santo e Lorena Laudares.

Segundo os estrategistas, há boas oportunidades de alocação nos setores de ensino, financeiro, varejo, consumo básico, mineradoras e siderúrgicas.

Outras boas oportunidades estão na renda fixa, com a previsão de uma taxa básica de juros a 11,50% ao ano em 2022.

“O nível para onde caminha a Selic e o cenário de incertezas prescrevem alocação robusta em renda fixa pós-fixada, incluindo: títulos públicos, privados e fundos, visto que os retornos acompanham o ciclo de alta”, escrevem os especialistas da Órama.

Lucas Oliveira, sócio da Nexgen Capital, aponta que a atratividade da renda fixa contribui para a desvalorização de ativos brasileiros de renda variável.

“Já vemos uma movimentação entre alguns clientes reduzindo levemente a exposição à Bolsa local, mas mantendo uma fatia em renda variável e, ao mesmo tempo, buscando maior diversificação”, diz Oliveira.

A diversificação veio em ativos estrangeiros, especialmente BDRs.

“As Bolsas americanas renovaram suas máximas históricas ao longo de 2021, o que é reflexo do crescimento que essas empresas têm reportado. Quando analisamos o último trimestre, mais de 80% das empresas que compõem o S&P 500 tiveram crescimento expressivo neste período”, afirma Oliveira.


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