IF Hoje: Feriado tem a calmaria que antecede a tempestade?

O mercado financeiro brasileiro está fechado nesta terça (2), mas restante da semana tem vários eventos que podem mexer com os investimentos

Plenário do Senado Federal (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O mercado financeiro brasileiro está fechado nesta terça-feira (2) por causa do feriado do Dia de Finados. O investidor pode, então, tomar fôlego para três dias bastante intensos que vêm aí.

Na quarta (3), três eventos importantes podem mexer bastante com as aplicações.

Copom

Logo cedo, a divulgação da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, na qual se decidiu aumentar a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 1,5 ponto percentual, para 7,75% ao ano, deve dar mais indicações sobre o que a instituição pretende fazer para debelar a crescente inflação. A elevação dos juros básicos tem favorecido a renda fixa, em detrimento da Bolsa de Valores.

PEC dos precatórios

Haverá também uma nova tentativa de votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 23/2021, que ficou conhecida como PEC dos precatórios, no plenário da Câmara dos Deputados. Essa lei permite que o governo faça o parcelamento dos precatórios que deve pagar em determinado ano. Antes, a quitação deveria ser feita à vista. A PEC também muda o fator de correção do teto de gastos. O texto já foi aprovado na comissão especial da Câmara, mas precisa passar pelo plenário das duas casas do Congresso, com voto a favor de 3/5 dos legisladores. Se aprovada, a PEC liberaria R$ 91,6 bilhões do orçamento de 2022, que poderiam ser usados para pagar parte do novo benefício de distribuição de renda, o Auxílio Brasil, estimado em R$ 400 mensais.

A discussão sobre o financiamento do Auxílio Brasil azedou o humor dos investidores na semana passada. O governo Bolsonaro vem demonstrando intenção de desobedecer às regras que o impedem de gastar demais (o teto de gastos), com vistas à eleição do ano que vem. Essa atitude prejudica a credibilidade do país, alimentando o medo de que o Brasil não cumpra os seus compromissos.

Nos EUA, reunião do Fed

Nos Estados Unidos, o Comitê de Mercado do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) se reúne. Existe uma aposta de que serão anunciadas as diretrizes do programa de redução de compra de ativos (chamado, em inglês, de tapering ). A compra, que há 19 meses vem injetando dinheiro na economia americana, atualmente está em US$ 120 bilhões por mês e deve começar sendo cortada em US$ 15 bilhões. Desde a crise financeira mundial de 2008, o Fed vem usando a estratégia de adquirir títulos públicos em poder de instituições financeiras, dando-lhes dinheiro a ser liberado para empresas e consumidores. Durante a pandemia de covid-19, tal expediente foi reforçado, mas agora as autoridades americanas acham que é possível começar a reduzir esse estímulo. Como significativa parte desses recursos foram destinados ao investimento no mercado financeiro, inclusive em países como o Brasil, a retirada pode levar a quedas na Bolsa e mais aumento da cotação do dólar ante o real.

E tem mais…

Na quinta, os dados da produção industrial brasileira, mensurados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e os números de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA vão indicar o ritmo de recuperação de ambas as economias conforme a pandemia de covid-19 arrefece. O entendimento ficará mais claro na sexta, com as estatísticas de produção e vendas de veículos no Brasil, da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), e os números do payroll, outro indicador do mercado de trabalho americano.

Os balanços trimestrais de muitas empresas brasileiras importantes serão divulgados. Na quarta (3), saem Itaú, CSN, PetroRio, Ultrapar, Arezzo, Pão de Açúcar, Cielo, AES Energia, Pague Menos e Iochpe-Maxion. Na quinta (4), Bradesco, Eneva, Banco Pan, BR Properties, JHSF, Banco ABC Brasil, Brasilagro, São Carlos, Burger King, Tenda, Tegma e CSU Cardsystem. Na sexta (5), Embraer e M. Dias Branco.

Fique por dentro

Bolsa

O Ibovespa, principal índice acionário do Brasil, subiu 1,98%, para 105.550 pontos, na segunda. As ações da Petrobras foram o destaque, com alta de 2,75% nas preferenciais, para R$ 28, acompanhando a elevação do petróleo no mercado internacional e a afirmação, do presidente Bolsonaro, de que pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, estudos para privatizar a petroleira.

Dólar

O real segue pressionado. O dólar comercial ganhou 0,40%, vendido a R$ 5,67, nesta segunda. O turismo está cotado em R$ 5,850. O rumo da moeda brasileira está condicionada ao cenário fiscal do país, que segue indefinido à espera da PEC dos Precatórios.

Nubank

O banco digital brasileiro pediu registro de seu IPO (Oferta Inicial de Ações, na sigla em inglês) nos EUA e no Brasil.

COP26

Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente, anunciou nesta segunda que o Brasil tem novas metas para o combate ao aquecimento global. O novo compromisso, apresentado à 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), é reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 50% em 2030 – a meta anterior era de 43%. Leite ainda afirmou que o país se comprometerá a zerar as emissões líquidas até 2050. O ministro falou sobre as porcentagens, mas não passou outros números e nem apresentou metas a curto prazo. O governo também anunciou que vai antecipar a meta de zerar o desmatamento ilegal de 2030 para 2028, e alcançar uma redução de 50% até 2027.

Leia mais: COP26: O que você, investidor, tem a ver com isso?

Covid-19

O Brasil registrou, entre domingo (31) e segunda, 94 mortes por covid-19. A média móvel de mortes nos últimos sete dias ficou em 296 – é a primeira vez desde abril de 2020 que a média fica abaixo de 300, confirmando a tendência de enfraquecimento da pandemia.

Bolsonaro na Itália

Ainda na Itália após participar da reunião de líderes do G20, que terminou no domingo, Bolsonaro está visitando pontos turísticos do país e a cidade de Anguillara Vêneta, ponde nasceu seu bisavô. Na segunda, foi a Pádua. Seus seguranças e a polícia entraram em confronto com manifestantes que condenam seu governo.

Com reportagem de Isabella Carvalho e Júlia Moura


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