Ibovespa cai quase 4% seguindo piora do humor em Nova York

Perto de 12h15, o Ibovespa cedia 3,85%, para 104.174 pontos

B3, a Bolsa de Valores de São Paulo
B3, a Bolsa de Valores de São Paulo (Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg/Reprodução O Globo)

O Ibovespa apresenta reação firmemente negativa um dia depois das decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom). A preocupação das duas autarquias com a inflação e a temperatura dos discursos seguem sendo esmiuçadas pelos agentes, que temem um enfraquecimento do mercado de renda variável conforme os juros avançam.

Perto de 12h15, o Ibovespa cedia 3,85%, para 104.174 pontos, após máxima em 108.337 pontos e mínima em 103.923 pontos. Na cena externa, os mercados em Nova York também registravam desvalorização expressiva – o Dow Jones perdia quase 3%, o S&P 500 declinava 3,5% e o Nasdaq tinha queda de 4,6%.

Após a alta de ontem, analistas gráficos do Itaú BBA apontaram que o Ibovespa respirou e se afastou da região de suporte, tendo como próximo passo uma reversão da tendência de baixa de curto prazo, o que não parece provável no pregão de hoje. “Do lado da baixa, o ponto mais importante está em 105.200 pontos. A perda deste patamar aumentaria as chances de mais quedas em direção aos suportes em 103.700 e 100.000 pontos.”

O início negativo da sessão reflete uma percepção mais contracionista dos agentes em relação à comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom), apesar da elevação de 100 pontos-base, levando a Selic para 12,75%, ser amplamente esperada pelo mercado antes da divulgação.

Para analistas da Levante, o comunicado foi duro. “Segundo o texto, o BC avalia que o ambiente externo segue piorando devido à nova onda da covid na China e à guerra na Ucrânia, enquanto localmente a inflação segue preocupando. O comunicado também afirmou que os juros vão continuar a subir, embora em um ritmo menos intenso, ou seja, um comunicado ‘hawkish’ [favorável ao aperto monetário] , defendendo uma abordagem ortodoxa para conter a inflação.”

A piora no sentimento de aversão a risco no câmbio levou o dólar comercial a R$ 5,04 na máxima do dia, em um movimento de força da moeda americana que se espalha ao redor do globo. Assim, com o dólar em forte alta e o estresse no mercado de Treasuries, os juros futuros também se ajustam em forte alta e disparam nesta quinta-feira, também influenciados pelos sinais emitidos pelo Copom.

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