Fôlego por recompra de ações se mantém e operações já se aproximam de total de 2020

A recompra faz chegar o excesso de dinheiro ao bolso dos acionistas, já que reduz a base de papéis no mercado

Fôlego por recompra de ações se mantém e operações já se aproximam de total de 2020

Pontos-chave

  • Setembro foi o terceiro mês do ano com mais anúncios
  • Número de programas abertos já se aproxima dos 75 registrados em 2020
  • As empresas também reforçaram o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio

O interesse das empresas por programas de recompra de ações continuou forte em setembro, depois de um agosto movimentado. Foi o terceiro mês do ano – depois de março e agosto – com mais anúncios, 11 no total, segundo levantamento feito pelo Valor com dados da Comissão de Valores Imobiliários (CVM).

O número de programas de recompras abertos neste ano até o momento soma 73, após mais dois serem anunciados no mês de outubro – e se aproxima dos 75 registrados em todo o ano passado. No terceiro trimestre, 32 companhias anunciaram recompras entre julho e setembro, mesma quantidade dos três primeiros meses de 2020.

O movimento continuou acompanhando o desempenho pouco animador do mercado de ações brasileiro, com o índice Ibovespa tendo registrado o pior mês desde março de 2020, com queda de 6,57% em setembro. Além dos ruídos políticos, a piora nas perspectivas dos cenários econômicos global e doméstico, o que inclui a alta da inflação, mantiveram as ações sob pressão.

Mesmo que não de uma maneira tão direta como no caso dos dividendos, a recompra faz chegar o excesso de dinheiro ao bolso dos acionistas, já que reduz a base de papéis no mercado.

Concomitantemente, as empresas também reforçaram o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio no período. Só em setembro, pelo menos 40 empresas comunicaram a distribuição de proventos, segundo levantamento do Valor, cerca de R$ 52 bilhões. A maior parte veio da Vale, que pagou mais de R$ 40 bilhões. A mineradora também abriu um programa de recompra neste ano.

Esses anúncios também têm relação com o andamento da reforma tributária, que teve texto-base aprovado na Câmara dos Deputados no início do mês passado e prevê o fim do pagamento de juros sobre capital próprio e taxação dos dividendos.

“As empresas querem remunerar os acionistas antes da aprovação desse possível texto”, diz o especialista em investimentos da Suno Research, Felipe Tadewald.

Ele acredita que o fluxo de anúncios de pagamento de proventos deva continuar forte até o fim do ano, enquanto o de recompra de ações deve perder força. Porém, ele reitera que, caso a reforma tributária seja aprovada conforme o texto-base, o ritmo de recompra tende a ser forte no ano que vem.

“As empresas podem migrar os recursos para a recompra de ações e fugir do Imposto de Renda. Com isso, elas transformam o programa em um tipo de remuneração aos acionistas”, comenta.


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