Em ano volátil, ofertas de ações devem superar R$ 150 bilhões

IPOs e ‘follow-ons’ já somam R$ 141 bi, aponta presidente do Morgan Stanley

Zema: Empresas retomam IPOs no ano que vem, mas em ritmo menor — Foto: Claudio Belli/Valor

Em um ano marcado por forte volatilidade e incerteza econômica e política, as operações de mercado de capitais no país mantiveram-se firmes e devem seguir relativamente aquecidas em 2022. À frente do Morgan Stanley no Brasil, Alessandro Zema diz que 2021 deve fechar com mais de R$ 150 bilhões em transações, que incluem abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) no país e no exterior, além de ofertas subsequentes de ações (“follow-on”).

“O ano foi muito bom para o mercado de capitais, apesar da volatilidade. Contudo, não se pode olhar só a foto, tem de olhar o filme inteiro. E o final do filme é que a inflação surpreendeu negativamente e também foi necessário fazer um aperto monetário muito mais forte do que se esperava no começo do ano. Houve um enfraquecimento do teto de gastos, que foi feito de forma envergonhada”, afirma, em entrevista ao Valor.

Mesmo com a alta oscilação do mercado, Zema destaca pontos positivos, como a aprovação da independência do Banco Central e o avanço da vacinação no país.

No acumulado deste ano, os IPOs somaram 50 operações, movimentando R$ 69,2 bilhões, e 25 “follow- ons”, com R$ 64 bilhões, totalizando até aqui R$ 133,2 bilhões. Se incluídos os cinco IPOs de empresas brasileiras nos Estados Unidos, o total sobe para R$ 141,1 bilhões, de acordo com levantamento do banco. A estimativa é encerrar o ano em mais de R$ 150 bilhões no total de transações.

“Aqui [no mercado interno], a janela está fechada neste fim de ano com essas notícias negativas. Então, as empresas estão preferindo postergar seus planos, mas continuamos a ver ‘follow-ons’ acontecendo e IPOs lá fora.”

No ano passado, as operações de abertura de capital e oferta subsequente de ações somaram 60 ofertas em volume e R$ 142,1 bilhões em valor. Foram oito IPOs de empresas brasileiras no exterior, com quase R$ 30 bilhões levantados.

O executivo acredita que parte das empresas que adiaram a decisão de abertura de capital deve recorrer ao mercado no primeiro semestre de 2022. A expectativa é que, no próximo ano, as transações atinjam cerca de R$ 100 bilhões. “Vemos um terceiro trimestre parado. Passadas as eleições, contudo, o mercado volta, independentemente de quem ganhar. Acredito que as ações serão melhores que os discursos”, avalia Zema, que ainda não vê o mercado precificando uma terceira via.

O primeiro trimestre poderá servir como um termômetro do ano inteiro. “Mas o que vai definir [o mercado de capitais] vai ser o cenário fiscal. Dependendo de como esse tema comece ser endereçado, isso certamente vai abrir possibilidade de ter mais ou menos transações”, ressalta.

A declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre a intenção de dar reajuste a servidores certamente assusta o mercado, diz Zema. Segundo ele, não há expectativa de reformas impactantes nos próximos meses. Contudo, o executivo vê uma redução inflacionária no próximo ano.

A perspectiva é que fusões e aquisições se mantenham firmes. “Vamos continuar vendo as empresas buscando complementaridade de produtos e geográfica. E muitas delas enxergam oportunidades para crescer na crise”, diz.

Zema vê o Brasil barato e interesse de grupos estrangeiros no país. “O investidor ‘gringo’ está presente. Quando se olha o dado da B3, só pega a saída de recurso e não quem investiu. Os investidores institucionais de fora representam 50% da B3.”


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