Bolsa: varejo e construção civil caem com aumento do pessimismo sobre a economia

O Ibovespa terminou a segunda-feira praticamente estável, aos 104.781 pontos. Entre as maiores baixas, destacaram-se as empresas mais sensíveis às sucessivas altas nas taxas de juros

(Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

Inflação em alta, perspectiva de elevação dos juros, medo de recessão em 2022, instabilidade política. Nesse cenário negativo, os investidores no mercado financeiro brasileiro estão vendendo, na Bolsa de Valores, ações de empresas que poderiam ser mais prejudicadas com a piora da economia e comprando dólares para se proteger.

O Ibovespa terminou a segunda-feira praticamente estável, aos 104.781 pontos. Entre as maiores baixas, destacaram-se as empresas mais sensíveis às sucessivas altas nas taxas de juros, como varejo e construção civil: Americanas (-6,5%, para R$ 32,68), Magazine Luiza (-4,1, a R$ 11,93%) e Cyrela (-4,4%, a R$ 14,93). A alta de 0,33% do dólar comercial, para R$ 5,541, favoreceu as empresas que têm boa parte das receitas denominada na moeda americana: a Vale subiu 5,4%, a R$ 67,60 e a Gerdau, 3,8%, a R$ 23,80.

O pessimismo dos investidores foi alimentado logo cedo pela FGV (Fundação Getulio Vargas), que informou que o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) ficou em 1,6% em outubro, superando a mediana das estimativas de 15 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data, de 1,3%.

O boletim Focus, mais abrangente levantamento de expectativas sobre os principais indicadores econômicos brasileiros, feita pelo Banco Central, trouxe pela 31a. semana um aumento das projeções para a inflação em 2021. Os analistas de mercado estimam agora que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ao final deste ano vai ficar em 9,33% – mais do que o dobro do verificado em 2020, 4,52%. Já a projeção para o crescimento do país continua caindo: a estimativa de alta do PIB (Produto Interno Bruto) ficou em 4,93%. Para a Selic, a taxa básica de juros da economia, ficou em 9,25% ao ano, o que implicaria uma elevação de 1,5 ponto percentual na reunião de dezembro do Copom (Comitê de Política Monetária do BC).

O avanço dos preços demanda essa continuidade de aumento dos juros, o que por sua vez desencoraja tanto as compras dos consumidores quanto os investimentos produtivos das empresas. A economia poderia, dessa forma, apresentar uma contração em 2022.

Piorando ainda mais o horizonte, estão as incertezas sobre os rumos do governo Jair Bolsonaro e as eleições do ano que vem. Na sexta (5), a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu o pagamento das chamadas emendas de relator no Orçamento de 2021 e pediu que o presidente da corte, Luiz Fux, convocasse uma sessão extraordinária para avaliar sua decisão. A reunião ficou marcada para terça (9). A suspensão do pagamento enfraquece a administração Bolsonaro e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliado do Palácio do Planalto e responsável por fazer a distribuição dos recursos entre os deputados. Desde o início de outubro, foram liberados cerca de R$ 3 bilhões relativos a essas emendas.

Na teoria, as emendas de relator são as ferramentas usadas pelo Congresso Nacional para aperfeiçoar a proposta do Orçamento e melhor direcionar os gastos públicos. Na prática, são uma maneira de os parlamentares conseguirem recursos para os seus projetos, especialmente os que contemplam a sua base eleitoral, e viraram uma forma de o governo federal comprar o apoio dos legisladores nas questões que lhe interessam. Como não há divulgação de quem são os congressistas beneficiados por cada emenda, o jornal O Estado de S. Paulo batizou de “orçamento secreto” essa folha de pagamento em uma investigação que começou no início do ano e culminou com a decisão de Weber.


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