Diesel mais barato: decisão técnica ou interferência política na Petrobras?

Empresa anunciou uma redução de R$ 0,20 por litro

Transporte rodoviário
Corte no preço do diesel é boa notícia para os caminhoneiros. Foto: Guito Moreto/Agência O GLOBO

Apesar do cenário inicial desafiador projetado para o óleo diesel nos próximos meses, mudanças significativas no mercado internacional nos últimos dias permitiram à Petrobras reduzir os preços do insumo para as distribuidoras, na avaliação de Luiz Carvalho, analista do banco UBS. As mudanças na conjuntura foram causadas pelo medo de uma recessão global, bem como um menor consumo do óleo diesel no mercado internacional, destacou.

Para o analista, a decisão da Petrobras foi totalmente técnica, sem sinal de interferência política. No entanto, segundo Carvalho, essa redução não seria suficiente para incentivar novas importações a ponto de impactar a taxa de utilização das refinarias da companhia.

Mais cedo, a Petrobras anunciou uma redução de 3,56% nos preços do óleo diesel, que entram em vigor a partir desta sexta-feira (5). O percentual corresponde a uma redução de R$ 0,20 por litro, caindo de R$ 5,61 para R$ 5,41 por litro.

O último reajuste nos preços do diesel ocorreu no dia 17 de junho, quando a Petrobras elevou os preços em 14,26%, de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro. A redução é a primeira desde maio de 2021. Em julho, a Petrobras já reduziu duas vezes o preço da gasolina. Nas bombas, em vários estados, o preço.

Corte do diesel surpreende

A redução no preço do diesel anunciada pela Petrobras causou surpresa pela política da companhia de evitar repassar ao mercado nacional as volatilidades internacionais, na visão do analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman. “O nível de volatilidade [no mercado internacional] é grande. No diesel, é normal trabalhar com um ‘cobertor de segurança’”, disse.

Arbetman lembrou que, na sexta-feira, o diretor de comercialização e logística da Petrobras, Claudio Mastella, havia indicado em conferência com analistas que o diesel tendia a manter preços altos no mercado internacional. Por isso, para o analista, era esperada uma manutenção ou até um possível aumento no diesel.

“Recebi essa notícia da queda do diesel com surpresa. Dada essa conjuntura, esperava que houvesse a manutenção de um ‘colchão’. Havia matematicamente, sim, espaço para que esse corte fosse feito, mas pensando na política da companhia, de não considerar movimentos conjunturais, e sim estruturais, e levando em consideração as falas da diretoria, se esperava uma manutenção”, disse o analista.

Segundo Arbetman, mesmo com a tendência de queda no preço internacional do diesel nos últimos dias, ainda há riscos de problemas de desabastecimento para os próximos meses. Isso ocorre por causa da queda nos estoques internacionais do diesel, além das dúvidas sobre o fornecimento de gás da Rússia para a Europa, o que poderia levar a um aumento na demanda pelo diesel.

“A chegada do inverno na Europa e a colheita da safra no Brasil fazem com que a demanda suba, enquanto na parte da oferta há uma curva plana, sem maiores colocações. Esse descasamento entre oferta e demanda pode continuar”, afirmou.

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