COP26: Declaração final busca limitar aquecimento global a 1,5°C

Declaração oficial da COP26, a conferência do clima de Glasgow, foi aprovada com muitas ressalvas por parte de países pobres e ricos

– Ilustração: Renata Miwa

Pontos-chave

  • Brasil assina novos acordos para redução de CO2, desmatamento e metano
  • Regulamentação do mercado mundial de crédito de carbono segue em aberto
  • Enquanto isso, Brasil registra o pior mês de outubro em relação ao desmatamento, desde que o banco de dados foi criado, há cinco anos

A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26) terminou ontem com um acordo global que busca pelo menos manter viva a esperança de limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius.

O acordo é o resultado de duas semanas de negociações duras em Glasgow, que envolveram 200 delegações nacionais, que incluem líderes dos países desenvolvidos e até das ilhas do Pacífico, que estão sendo engolidas pela elevação do nível do mar. A Conferência deveria ter terminado na sexta-feira (12), mas as negociações avançaram por mais o dia de ontem, para equilibrar as demandas de nações vulneráveis ao clima, grandes potências industriais e países em que o consumo ou exportação de combustíveis fósseis é vital para o desenvolvimento econômico.

“Por favor, não se pergunte o que mais você pode querer, mas se pergunte o que é o suficiente”, disse Alok Sharma, presidente da Conferência, aos delegados nas horas finais. “E ainda mais importante – por favor, perguntem-se se, no fim das contas, esses textos funcionam para todas as pessoas e para nosso planeta.”

O objetivo geral da Conferência, sediada pelo Reino Unido, era modesto demais, na opinião de ativistas do clima e países vulneráveis – manter a meta do Acordo de Paris de 2015 de limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Um rascunho de acordo, que circulou ontem, na prática reconheceu que os compromissos feitos até agora, para cortar as emissões de gases de efeito estufa que aquecem o planeta, não estão nem perto do suficiente. Também pediu que as nações façam promessas mais duras em relação ao clima no ano que vem, em vez de a cada cinco anos, como atualmente são obrigadas a fazer.

Cientistas dizem que um aquecimento acima de 1,5 grau Celsius geraria um crescimento extremo do nível do mar e catástrofes como secas, tempestades e incêndios muito piores do que as que o mundo está sofrendo neste momento. Até agora, as promessas dos países para cortar emissões de gases de efeito estufa – principalmente dióxido de carbono da queima de carvão, óleo e gás – limitariam o crescimento da temperatura global média em 2,4 graus Celsius.

Já na rodada final, com o texto já revisado, a Índia propôs uma mudança na redação em que se pedia a eliminação do uso de carvão para apenas “redução”. Isso complica a meta de se limitar o aquecimento global a 1,5ºC neste século. Para vários países-ilha, o meio grau é a “diferença entre vida e morte”. Delegados de vários países vulneráveis se pronunciaram em plenário, manifestando desapontamento.

Sharma repetiu que um de seus objetivos em Glasgow era terminar a era do carvão e reconheceu, publicamente, que naquele ponto o texto não era bom. O acordo tem uma forte ambiguidade no tratamento dos combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo em que pede que se acelere o uso de energias de baixa emissão fala em aumentar a velocidade para eliminar o uso de “subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis”. “Bem, se os subsídios são ineficientes não deveriam existir mesmo”, diz um delegado.

Outro ponto muito negativo foi a falta de financiamento para adaptação. Os países desenvolvidos prometeram dobrar os recursos para adaptação aos impactos climáticos, que são muito modestos, em 2025 em relação aos níveis de 2019. A promessa desaponta, considerando-se que a outra ainda não foi cumprida: a dos países ricos mobilizarem US$ 100 bilhões o mundo em desenvolvimento anualmente, a partir de 2020.

Há tópicos positivos no resultado da COP 26. Glasgow fechou as regras do Acordo de Paris. Finalmente, depois de seis anos de maturação e muita controvérsia, encerrou o artigo 6, que trata dos mercados de carbono. Também finalizou o capítulo de transparência, onde os países deverão registrar seus progressos no corte de emissões, por exemplo.

Aquecimento global e Acordo de Paris

A COP26 teve como foco as discussões para a redução das emissões de carbono no mundo. Para isso, tem como base o Acordo de Paris, tratado internacional criado na COP21 para frear o aquecimento global. Durante a conferência deste ano, o Brasil anunciou novas metas. O novo compromisso é reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 50% em 2030 – a meta anterior era de 43%.

Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente, afirmou que o país se comprometerá a zerar as emissões líquidas até 2050. “Nesta COP, e mesmo muito antes de chegarmos aqui, temos trabalhado para que alcancemos resultados positivos na criação do mercado global de carbono sob o Artigo 6 (do Acordo de Paris)”, disse nos primeiros dias.

Em paralelo, Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, se comprometeu a gerar metade da eletricidade do país com fontes renováveis até 2030 e chegar ao nível zero de emissão de CO2 até 2070, duas décadas depois do objetivo estipulado pela ONU. O país é o terceiro maior emissor mundial de gases de efeito estufa, depois da China e dos Estados Unidos. Essa é a primeira vez que a Índia estabelece um prazo para a neutralidade de carbono. 

Com Agência Brasil e Agências internacionais


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