Como investir em títulos do Tesouro americano?

Procura pelo ativo 'mais seguro do mundo' fica mais intensa com o aumento dos juros no país

Foto: Pixabay

Pontos-chave

  • Aplicação é uma forma de o investidor ter exposição a uma moeda forte
  • Ela é recomendada para equilibrar os níveis de risco da carteira

O Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) decidiu na quarta-feira (4) subir em 0,50 ponto percentual os juros básicos da economia do país, para o intervalo de 0,75% a 1% ao ano. Essa foi a segunda elevação seguida desde 2018 e a expectativa é que o aperto monetário continue, com a taxa podendo chegar ou até mesmo superar o patamar de 3,5% ao ano no final do ciclo.

Com o aumento dos juros nos EUA, os títulos do Tesouro americano (Treasuries) passam a pagar mais aos investidores, o que naturalmente intensifica a procura deles. Mas como ter na carteira o ativo que é considerado “um dos mais seguros do mundo”?

Antes de tudo, a pessoas investidora precisará ter um número de “social security”, o equivalente ao CPF brasileiro. O documento americano é restrito a quem possui o Green Card, quem tem visto de trabalho para os EUA e estudantes de intercâmbio que tenham sido autorizados a trabalhar no campus da instituição de ensino.

Para quem se encaixa nos requisitos, a dinâmica para fazer aplicações sem intermediários é praticamente a mesma do Tesouro Direto brasileiro: abrir uma conta diretamente em um banco ou corretora com atuação no mercado americano e acessar o site oficial do Tesouro deles, o “Treasury Direct”.

Qual caminho mais viável então para o investidor pessoa física no Brasil?

A alternativa no caso é fazer aportes em fundos brasileiros que têm os tais treasuries no portfólio. Há também ETFs disponíveis na B3 que espelham o desempenho de índices que acompanham os rendimentos dos títulos do Tesouro americano.

Quais são os tipos de treasuries?

Existem quatro: os que protegem contra a inflação (tips), os prefixados com prazo de resgate até 1 ano (bills), os com prazo de vencimento de 2 a 10 anos com pagamento de juros semestrais (notes) e os com prazo de 10 a 30 anos também com pagamentos semestrais (bonds). Assim como aqui, os ativos podem ser vendidos antes do vencimento, estando sujeitos à marcação à mercado.

Por que ter títulos do Tesouro americano na carteira?

Os treasuries são considerados um dos ativos mais seguros do mundo porque quem garante o pagamento deles é o governo da maior e mais estável economia do mundo. “Além de ter a segurança de receber o capital investido, o investidor terá exposição a uma moeda forte”, afirma Alex Hirai, gestor de fundos de Crédito da Rio Bravo. “É uma forma de diversificar e proteger a carteira da volatilidade do câmbio”, acrescenta Victor Zucchi, especialista em renda fixa da Valor Investimentos.

É um investimento para todo mundo?

Pensando em equilibrar os níveis de risco do portfólio, os especialistas apontam que o investidor deve considerar reservar parte de sua carteira para alocação em ativos ligados aos treasuries. “Por ser um título de zero risco, é indicado para todos os perfis, dos moderados aos agressivos”, destaca Zucchi, da Valor. “A nossa sugestão tem sido a de ter de 5% a 6% em renda fixa americana, o que incluir títulos do Tesouro”, comenta.

Existe um momento adequado para comprar o ativo?

Ter exposição aos treasuries faz parte da estratégia de quem pretende dolarizar a carteira. Hirai, da Rio Bravo, lembra que em títulos de renda fixa prefixado o ideal é investir quando os juros estiverem no pico, enquanto os títulos pós-fixados ficam mais favoráveis em um cenário de subida de juros. “Estamos vivendo em um momento em que a inflação nos EUA não será passageira, fazendo com que o Fed seja mais duro em sua política monetária, elevando os juros em um ritmo mais rápido para tentar manter a inflação dentro da meta”, completa.


Você também pode gostar
Glossário IF Publicado em 19.maio.2022 às 17h57 Duração 3 min.
O que é a Anbima?

Essa organização representa bancos, gestoras, corretoras, distribuidoras e administradoras

Anne Dias Publicado em 19.maio.2022 às 16h31
Dica do especialista: conheça os bastidores do nascimento do Plano Real

Muito do que vivemos hoje nasceu naquele período, mostra o livro Saga brasileira, de Miriam Leitão

Gustavo Zanfer Atualizado em 19.maio.2022 às 14h51
Como montar uma carteira de longo prazo?

É difícil, mas é importante ter uma estratégia financeira para daqui a alguns anos

Redação IF Atualizado em 19.maio.2022 às 16h01
Dólar comercial renova mínima com fraqueza da moeda no exterior

O movimento reflete o enfraquecimento da moeda americana frente outras divisas emergentes

Redação IF Publicado em 19.maio.2022 às 10h53
Como o trabalhador poderá usar o FGTS para comprar ações da Eletrobras

Tipo de investimento já foi feito anteriormente em vendas de ações da Petrobras e da Vale

Manhã Inteligente Publicado em 19.maio.2022 às 10h26
Guerra na Ucrânia, queda das ações da Amazon, Madonna e NFTs

Isabella Carvalho e Ítalo Martinelli falam sobre os assuntos que podem afetar seus investimentos nesta quinta (19)

Redação IF Atualizado em 19.maio.2022 às 09h39
Bolsas europeias caem mais de 2% e futuros de NY sinalizam continuidade das perdas

Clima de cautela prevalece nos negócios em meio às preocupações com o impacto da inflação elevada no crescimento econômico global