Com juro mais alto, cresce fluxo para crédito privado

Segundo analistas, gestores têm buscado posições arriscadas para melhorar seu desempenho, como a compra de papéis de longo prazo, que pagam spreads acima de 2%

Com juro mais alto, cresce fluxo para crédito privado
– Imagem: RHJ/Getty Images

Pontos-chave

  • Taxas de retorno mais altas e as incertezas sobre a retomada econômica influenciam a busca por ativos mais líquidos
  • Elevação do juro real oferecido pelos títulos públicos indexados ao IPCA é um dos riscos para a rentabilidade dos fundos
  • A volatilidade trazida pela eleição eleva o grau de atenção

A alta da taxa Selic e a instabilidade na bolsa têm estimulado um maior fluxo de investimentos em crédito privado – títulos de dívida emitidos por empresas ou instituições financeiras, como debêntures – especialmente em fundos de liquidez quase imediata. Segundo levantamento do Valor, para cada R$ 1 depositado neste ano por um fundo de crédito com resgate superior a 16 dias, R$ 7,40 foram captados por um fundo cujo resgate pode ocorrer em até 15 dias.

Esse movimento chama atenção de analistas pelo descasamento entre o prazo das emissões – mais longo – e boa parte do fluxo de investimentos que busca liquidez de curto prazo. Para eles, o cenário potencializa o risco de exposição em eventual reversão da onda do mercado.

Taxas de retorno mais altas e dúvidas sobre a retomada da economia contribuem para a procura por ativos mais líquidos. Mas, segundo analistas, gestores têm buscado posições arriscadas para melhorar seu desempenho, como a compra de papéis de longo prazo, que pagam spreads acima de 2%. Para Pierre Jadoul, gestor de crédito privado da ARX, ao tentar acomodar liquidez e retorno, o fundo pode ter problemas se enfrentar saques e tiver de vender papéis, alguns de prazo longo, para dar a saída quase imediata ao investidor. “Em um cenário de estresse, quem baixa a régua de crédito é quem mais se machuca.”

Um dos riscos para a rentabilidade dos fundos é se a piora do nível de confiança provocar a elevação do juro real oferecido pelos títulos públicos indexados ao IPCA. Hoje, esses papéis com prazo de cinco anos pagam juro real de 4,80% e, para dez anos, taxa de 5%. A leitura é que, caso essa taxa se aproxime de 6%, haverá migração para esses papéis.

A volatilidade trazida pela eleição eleva o grau de atenção. O Itaú BBA monitora fundos com ativos de crédito privado e que compraram, junto ao banco, papéis de valor superior a R$ 5 milhões. Em agosto de 2020, eles tinham R$ 579 bilhões sob gestão. Em setembro de 2019, auge do mercado de crédito privado, eram R$ 784 bilhões. Com R$ 141 bilhões captados nos últimos 13 meses, o total hoje é de R$ 720 bilhões.


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