Bolsas da Europa fecham em queda, com nervosismo sobre aperto monetário dos BCs

O Stoxx Europe 600 fechou em queda de 1,37%, a 427,99 pontos

Mercados acumulam perdas com alta de juros (Foto: Pixabay)

As bolsas europeias fecharam em queda, acompanhando o nervosismo nos Estados Unidos com o aperto monetário dos bancos centrais e a possibilidade de que as medidas tomadas para controlar a inflação joguem a economia dos países desenvolvidos em recessão.

Após ajustes, o Stoxx Europe 600 fechou em queda de 1,37%, a 427,99 pontos. O FTSE 100, índice de referência da bolsa de Londres, recuou 1,82%, a 7.302,74 pontos, o DAX, de Frankfurt, caiu 0,90%, a 13.882,30 pontos, e o CAC 40, de Paris, cedeu 1,26%, a 6.272,71 pontos. Em Milão, o FTSE MIB fechou em leve queda de 0,09%, a 24.065,05 pontos, e o Ibex 35, de Madri, caiu 0,83%, a 8.406,00 pontos.

O mercado acionário americano tem sofrido fortes perdas nas últimas semanas, em meio ao nervosismo em torno do surto de inflação nos EUA e da desaceleração da economia americana, mas o pessimismo contamina os mercados globais mais amplos.

“Mais do que nunca, parecem ser necessárias provas de que o pico da inflação foi alcançado para que o mercado possa se recuperar de forma sustentada”, disse o gestor de ativos Louis Navellier. “A inflação está atingindo todos os aspectos, seja nos balanços das empresas, seja na cadeia de suprimentos”, emendou Nick Giacoumakis, presidente e fundador da NEIRG Wealth Management.

O Banco Central Europeu (BCE) ainda não começou a elevar os juros, mas, na avaliação dos analistas, a ata da última reunião de política monetária do BCE confirma a perspectiva de que os movimentos começarão na reunião de julho.

Para o ING, a ata do BCE, divulgada hoje, forneceu mais evidências de que a autoridade monetária está cada vez mais preocupada com as perspectivas de inflação e mostrou que os “falcões” estão dando as cartas em direção à condução de uma política monetária mais agressiva (“hawkish”). Por isso, não restam dúvidas de que o BCE vai subir os juros em julho.

“Vários membros alegaram que uma postura acomodatícia (“dovish”) não é mais consistente com as perspectivas de inflação, defendendo um processo de normalização mais rápido”, ressalta, em relatório, o chefe de mercados globais do banco holandês, Carsten Brzeski. Para ele, a única incerteza agora é se o aumento em julho será de 0,25 ou 0,50 ponto percentual.

As perdas hoje na Europa foram bastante amplas, com a maioria dos setores do Stoxx 600 anotando perdas de mais de 1%. As ações do setor bancário – de maior peso no índice pan-europeu – fecharam o dia em queda de 1,15%.

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