Inflação global foi exacerbada por commodities e nova onda de Covid-19 na China, diz Copom

Comitê de Política Monetária do Banco Central vê mais incertezas sobre preços de matérias-primas

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) afirma, na ata de sua última reunião, que o ambiente global seguiu se deteriorando e que pressões inflacionárias decorrentes da recuperação global após a pandemia foram “exacerbadas pelo avanço nos preços de commodities este ano e, mais recentemente, pela nova onda da Covid-19 na China”. A piora do cenário justifica a decisão tomada na semana passada, de elevar a taxa básica de juros da economia brasileira em 1 ponto percentual, para 13,75% ao ano. 

Para o colegiado, cenário tem “potencial de prolongar ainda mais o processo de normalização do suprimento de insumos industriais”.

O Copom ressaltou que reorganização das cadeias de produção globais, já impulsionada pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia, deve se intensificar, “com a busca por uma maior regionalização na cadeia de suprimentos”. “Na visão do comitê, esses desenvolvimentos podem ter consequências de longo prazo e se traduzir em pressões inflacionárias mais prolongadas na produção global de bens”, complementou.

Além disso, a autoridade monetária ressaltou que bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes têm adotado uma postura mais contracionista em reação ao avanço da inflação, mas que, em boa parte dessas economias, as taxas de juros correntes ainda estão em campo “avaliado como expansionista”.

“Diante da potencial persistência do processo inflacionário, a reprecificação da política monetária nos países avançados tem impactado as condições financeiras dos países emergentes. O Comitê discutiu também os crescentes riscos em torno de uma desaceleração global em ambiente de inflação significativamente pressionada”, destacou.

Commodities em alta

O comitê também ressaltou que há grande incerteza sobre o comportamento futuro dos preços de commodities em reais, “como reflexo da guerra na Ucrânia e da retomada das economias no pós-pandemia”. Para o colegiado, “há possibilidade de reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local”.

A respeito da conjuntura inflacionária global, o colegiado afirmou que as pressões “se intensificaram e são caracterizadas tanto por uma demanda por bens persistentemente elevada (por exemplo, na economia norte-americana), quanto por choques de oferta ligados à guerra na Ucrânia e à política chinesa de combate à covid-19”.

“Esses fatores têm potencial para gerar pressões inflacionárias persistentes em diversas economias, particularmente nas que estão mais defasadas no processo de normalização de suas políticas fiscais e monetárias”, disse.

Com conteúdo VALOR PRO, o serviço de informação em tempo real do Valor Econômico


Você também pode gostar
Valor Econômico Publicado em 17.maio.2022 às 07h47
Maior parte das ações na Bolsa acumula queda desde início de 2021

Das 100 ações do IBrX, 64 têm perda no período

Valor Econômico Atualizado em 16.maio.2022 às 20h10
Magazine Luiza reverte lucro e tem prejuízo de R$ 161,3 milhões no primeiro trimestre

Rede afirma que o resultado reflete o aumento de despesas financeiras no período

Diogo Rodriguez Publicado em 16.maio.2022 às 17h04 Duração 1 min.
O que é investir? Basicamente, é emprestar dinheiro

A gente ouve falar muito em investimentos. Mas o que é investir? O que significa esse ato? Veja mais no Me Explica na IF

Redação IF Publicado em 16.maio.2022 às 15h16
Estrangeiros já sacaram R$ 12,6 bilhões da Bolsa em maio

Movimento positivo no ano diminuiu para R$ 45,03 bilhões