Inflação e juros em alta freiam crédito imobiliário, e venda de imóveis cai

Para atrair compradores, empresas trocam materiais, fazem sorteios e evitam repassar toda a Selic. Número de lançamentos ainda cresce

Construção civil, mercado imobiliário, desenvolvimento, PIB, crescimento
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Os sucessivos aumentos da taxa básica de juros — a Selic saiu da mínima histórica de 2%, em março, para os atuais 9,25% — e o cenário econômico mais desafiador têm feito mais brasileiros a adiarem o sonho da casa própria.

Com uma inflação que deve fechar o ano em dois dígitos e os juros em alta, os consumidores estão mais cautelosos. As construtoras, porém, mantêm o otimismo e buscam estratégias para atrair clientes, como não elevar os juros na mesma magnitude da Selic e trocar materiais para driblar a alta do custo dos insumos.

“A alta da Selic tem um impacto, mas acho que ainda é pequeno. O que está pressionando um pouco mais é a questão de confiança (do consumidor). Passamos por um período de inflação bem forte. Isso encarece a vida das pessoas e os custos da construção”, diz o analista da área imobiliária da XP Investimentos, Renan Manda.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em outubro as instituições financeiras concederam R$ 17,156 bilhões em crédito imobiliário, recuo de 3,9% em relação a setembro. No ano, porém, ainda há alta de 23,74%, chegando a R$ 171,847 bilhões. Já os financiamentos com recursos do FGTS têm queda de 14%, até 9 de dezembro, para R$ 44 bilhões, na comparação anual.

Pelo lado das vendas, houve recuo de 9,5%, para 58.941 unidades, no terceiro trimestre frente ao mesmo período de 2020, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).

O número de lançamentos, no entanto, cresceu 13,6% na mesma base de comparação. Tendência similar é vista quando se leva em consideração os dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

O Indicador Abrainc-Fipe, elaborado a partir da consulta com 18 empresas associadas, mostra alta de 5% em lançamentos no terceiro trimestre, enquanto as vendas caíram 11,5%.

Vai comprar: Prefira os empréstimos prefixados

Nos financiamentos, as incorporadoras buscam não repassar a alta da Selic na mesma proporção. Alguns bancos também tentam segurar as taxas. No Itaú Unibanco, por exemplo, a última alta foi em setembro, de 7,3% para a partir de 8,3% ao ano no crédito imobiliário tradicional.

E o Banco do Brasil, que tem taxas a partir de 7,99% ao ano mais TR, está oferecendo a quem contratar um financiamento até o fim do ano cupons para concorrer a um sorteio de até R$ 100 mil.

Mas o professor do MBA em Finanças do Ibmec/RJ, Gilson Oliveira, ressalta que as taxas de financiamento sofrem impacto direto dos aumentos da Selic. “Não há como ter uma Selic maior e o setor financeiro não repassar isso nos novos financiamentos. Pode não acontecer de imediato, mas no curto prazo, essas taxas são impactadas. Até porque a elevação não foi residual”, diz Oliveira, destacando que o repasse se dará em novos financiamentos e não naqueles contratados com taxas prefixadas. Ele avalia que o aumento nas taxas de financiamento fará as pessoas optarem por imóveis de menor valor.

“Para novos compradores, a palavra é precaução. Eles devem, preferencialmente, optar por empréstimos prefixados (que cobram uma taxa fixa no momento do acordo). O cenário do ano que vem é incerto, e assumir um contrato de um longo prazo em uma taxa pós-fixada é um risco grande.”

Com reportagem de g1 e O Globo.


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