Ibovespa tem leve queda enquanto monitora agenda internacional e quadro fiscal local

Feriado prolongado no Brasil e nos EUA deixa investidores mais cautelosos

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3 (Foto: Rafael Matsunaga/Wikimedia)

Em dia de vencimento de opções sobre as ações locais e encerramento da semana de negócios antes do feriado da Páscoa, a Bolsa de Valores brasileira, a B3, está buscando elementos nos mercados internacionais, avaliando a estratégia de aperto monetário do Banco Central Europeu e dados de atividade nos EUA para traçar um viés para o pregão. Localmente, agentes digerem ainda o reajuste dado por Bolsonaro ao funcionalismo.

“Semana mais curta e sem movimentações muito relevantes para o Ibovespa. Segue acima do suporte de 115 mil pontos e se mantém, ainda, com características de correção da tendência de alta”, afirma Pam Semezzato, analista de investimentos da Clear Corretora, destacando que uma queda abaixo dos 115 mil pontos pode desencadear uma correção maior.

Às 10h42, o Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, recuava 0,21%, aos 116.538 pontos, o futuro do S&P 500 recuava 0,03% e o índice pan-europeu Stoxx 600 subia 0,48%.

As ações preferenciais da Petrobras subiam 0,7%, para R$ 31,93, no primeiro dia de negociação em ex-dividendo, após a assembleia realizada ontem aprovar o pagamento de dividendos de R$ 7,77 por ação ordinária ou preferencial, relativos ao exercício de 2021. Adicionalmente, o conselho de administração da empresa reúne-se hoje para eleger o novo diretor-presidente da companhia. Os acionistas aprovaram, em assembleia que terminou na madrugada de hoje, a indicação de José Mauro Ferreira Coelho para o cargo.

Os preços do petróleo, por sua vez, eram negociados em queda, mas as perdas são moderadas, limitadas pelas expectativas de aumento da demanda diante do alívio nas medidas de restrição relacionadas à pandemia na China, bem como pela continuidade da guerra na Ucrânia, que caminha para completar 50 dias e sem sinais de resolução. Porém, a surpresa com o salto nos estoques americanos pesa nos negócios.

“Há a previsão de alta na procura por petróleo com o fim de mais medidas de restrições em nível global”, disse Tina Teng, analista da CMC Markets. Para ela, o impasse nas negociações de paz com a Ucrânia, depois de o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter falado em “beco sem saída”, gera receios sobre mais perdas de petróleo russo no mercado global.

Já no noticiário macro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve hoje as taxas referenciais de juros da zona do euro, com a taxa de depósito, de refinanciamento e de empréstimo permanecendo inalteradas em -0,50%, 0,00%, e 0,25%, respectivamente. Em comunicado, a autoridade monetária afirma que “quaisquer ajustes” nas taxas de juros da região ocorrerão “algum tempo após” o fim das compras líquidas mensais de títulos.

“A trajetória das taxas de juro do BCE continuará a ser determinada pelas orientações futuras do Conselho do BCE e pelo compromisso de estabilizar a inflação em 2% no médio prazo”, afirmou o BCE, em comunicado que acompanhou o anúncio da decisão. Investidores monitoram agora o discurso da presidente da autarquia, Christine Lagarde.

Nos Estados Unidos, as vendas no varejo subiram 1,1% em março, ante consenso de alta de 0,6%. Este é mais um dado que mostra a força da economia americana e que pode preocupar os mercados por conta da pressão inflacionária já identificada na maior economia do mundo.

E, no Brasil, investidores repercutem a decisão do governo federal de conceder um reajuste linear de 5% a todo o funcionalismo a partir de julho. Segundo apurou o Valor, o martelo foi batido ontem, durante uma reunião entre os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia). A decisão, que vinha sendo criticada pelo ministro da Economia Paulo Guedes, contou com aval do presidente Jair Bolsonaro.


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