Fusão de Aliansce Sonae e BR Malls pode ser maior ato de concentração no setor em décadas

Um negócio com quase 60 shoppings teria escala maior para a exploração de novos serviços, como em mídia digital e offline

(Foto: Igor Karimov/Unsplash)

Um eventual avanço na negociação para fusão entre Aliansce Sonae e BR Malls pode criar uma nova força no setor de shoppings no país já no curto prazo, focada especialmente na classe média brasileira. Um grande conglomerado de negócios no setor ampliaria os ganhos de escala e de eficiência, além do poder de negociação da empresa frente a lojistas.

Com Aliansce e BR Malls unidas, seria criado um negócio com as empresas sendo sócias de quase 60 empreendimentos, e mais de 10 mil lojistas, voltados especialmente para a classe B. Isso já pressionaria “players” concorrentes dacompanhia, como Ancar Ivanhoé ou o Grupo Saphyr, a considerarem parcerias ou associações para continuarem competitivos nesse mercado.

Isso porque esses acordos levam os shoppings a fecharem contratos de locação mais robustos com as varejistas, em vários empreendimentos ao mesmo tempo, numa espécie de “pacotão” de inaugurações futuras. As lojas acabam negociando investimentos em diferentes empreendimentos do mesmo grupo, porque passam ater contratos mais vantajosos, o que aumenta a concentração de investimentos na companhia.

Além disso, uma associação entre elas mudaria o foco de atenção do mercado, no passado mais voltado para um acordo entre as grandes empresas de luxo do setor, como Iguatemi e Multiplan — algo que nunca evoluiu, apesar da boa relação entre os grupos. Nos últimos anos, o radar do setor já tem se voltado para possibilidade de concentração entre empresas que atendem especialmente a classe média — isso ganhou força depois que a Aliansce se uniu à
Sonae Brasil, em 2019.

Ainda há um efeito nos ganhos de sinergia entre as empresas, especialmente nos planos de criação de uma plataforma digital mais robusta nas empresas. Um negócio com quase 60 shoppings teria escala maior para a instalação de um projeto de “marketplace” próprio por exemplo, ou de exploração de novos serviços, como em mídia digital e offline.

No quadro atual, é preciso considerar que há risco de que não haja entendimento entre as duas companhias — ambas já tentaram se unir algumas vezes no passado recente, mas faltou acerto em relação a preço e troca de ações entre os dois grupos. BR Malls vale R$ 7 bilhões na bolsa e Aliansce Sonae, R$ 5,5 bilhões. De qualquer forma, mesmo no curto prazo, um avanço nas conversas seria o passo mais relevante no processo de consolidação do varejo de shoppings brasileiro nas últimas décadas.


Você também pode gostar
Redação IF Publicado em 19.maio.2022 às 11h27
Ibovespa sobe com ajuda de Vale e siderúrgicas

Mercado acionário doméstico resiste a nova abertura negativa em NY

Redação IF Publicado em 19.maio.2022 às 10h53
Como o trabalhador poderá usar o FGTS para comprar ações da Eletrobras

Tipo de investimento já foi feito anteriormente em vendas de ações da Petrobras e da Vale

Redação IF Atualizado em 19.maio.2022 às 09h39
Bolsas europeias caem mais de 2% e futuros de NY sinalizam continuidade das perdas

Clima de cautela prevalece nos negócios em meio às preocupações com o impacto da inflação elevada no crescimento econômico global

Valor Econômico Atualizado em 19.maio.2022 às 08h39
Cenário global desperta interesse por Brasil, diz executivo da bolsa de Nova York

Chefe de mercados internacionais da bolsa de Nova York aponta que ADRs brasileiros são um dos ativos mais líquidos no mercado americano atualmente

Valor Econômico Publicado em 19.maio.2022 às 06h12
Grandes investidores ampliam dinheiro em caixa para maior patamar desde atentados de 11 de setembro

Preferência por dinheiro vivo coincide com enfraquecimento significativo das expectativas quanto aos lucros das empresas

Valor Econômico Publicado em 19.maio.2022 às 06h03
Nos EUA, esta pode ser uma década perdida para ações

Aumento de custos e aperto monetário devem pressionar margens de empresas dos EUA