Vale e outras grandes do setor caem nas bolsas

Desempenho é afetado pela crise na construção civil chinesa

Foto: Claudio Belli/Valor

Pontos-chave

  • China é a maior importadora de minério de ferro e de aço no mundo
  • A expectativa é que o preço da commodity siga pressionada no curto prazo pela crise energética no país asiático

A Vale, junto das principais mineradoras do mundo, sofreu forte pressão no pregão de ontem diante da preocupação dos investidores com o possível calote da dívida do grupo imobiliário chinês Evergrande, além das dúvidas sobre o futuro dos preços do minério de ferro.

Na bolsa de Nova York, as ADRs da mineradora brasileira chegaram a cair 5,34%, cotadas a US$ 13,11. No fim do pregão nos EUA a queda ficou em 3,68%, a US$ 13,34. Já na B3 a cotação, que chegou a recuar 3,56%, para R$ 73,69, fechou com perda de 1,60%, a R$ 75,19. Pela manhã o canadense RBC Capital cortou a recomendação da Vale de compra para venda e o preço-alvo da ADR de US$ 17 para US$ 12,50. Na quarta-feira, o Jefferies cortou a recomendação de compra para neutra para os papéis da Vale.

Na terça-feira, a Vale divulgou seu relatório de produção e vendas do terceiro trimestre, com 89,2 milhões de toneladas de minério de ferro produzidas, em linha com a expectativa das principais casas de análise. As vendas, que somaram 76 milhões de toneladas no período, ficaram levemente aquém do consenso.

Entre as gigantes globais da mineração, a Anglo American fechou em queda de 2,66% na bolsa de Londres, a 27,62 libras; assim como a Glencore, que perdeu 2,49%, para 3,68 libras; a BHP, que recuou 3,72% a 19,28 libras; e a Rio Tinto, que desvalorizou 4,84%, com a ação cotada a 46,49 libras na LSE.

A Anglo American divulgou ontem seu relatório de produção do terceiro trimestre, reportando 16,9 milhões de toneladas de minério de ferro, aumento de 15% na comparação anual, impulsionado pelas operações brasileiras de Minas-Rio. A produção de diamantes aumentou 28%, de carvão caiu 11%, cobre 6% e níquel aumentou 2%, tudo em linha com o mercado, segundo a RBC. Para o Citi, os números da mineradora vieram “fortes”.

A BHP, que divulgou seus dados operacionais no início da semana, informou queda de 4% na produção, para 63,3 milhões de toneladas, afetada por manutenções programadas e escassez de mão de obra temporária na Austrália. A companhia, entretanto, manteve a projeção de produção entre 249 milhões e 259 milhões de toneladas para o ano fiscal 2022, que se encerra em junho do ano que vem.

Já a Rio Tinto, além de registrar queda de 4% na produção, para 83,8 milhões de toneladas, revisou, na semana passada, a projeção para o ano, que foi de um intervalo entre 325 milhões e 340 milhões de toneladas, para uma estimativa de produção entre 320 milhões e 325 milhões de toneladas. Assim como a BHP, a Rio Tinto sofre com paradas programadas e escassez de mão de obra.

Na madrugada de ontem, as ações da gigante chinesa do mercado imobiliário caíram mais de 12% na bolsa de Hong Kong, após uma suspensão de quase três semanas quando correu risco de não honrar suas dívidas. Além do retorno, o conglomerado anunciou o fracasso na venda de 50% de participação em uma subsidiária por US$ 2,58 bilhões.

A Evergrande é a incorporadora mais endividada do mundo, devendo mais de US$ 300 bilhões na praça, e está envolta em uma crise de liquidez que acabou desencadeando preocupações no mundo sobre a deterioração da situação do setor imobiliário da China, que afeta toda uma cadeia de suprimentos, que inclui aço e minério de ferro.

Com o aumento da incerteza, os preços do minério de ferro voltaram a cair de forma acentuada ontem, depois de dois dias de relativa estabilidade no mercado à vista. No porto de Qingdao, o minério com teor de 62% de ferro recuou 5,75%, para US$ 116,93 a tonelada, retomando o nível de preço visto no início do mês. Com esse desempenho, a principal matéria-prima do aço passou a exibir queda de 1,9% no acumulado de outubro. Em 2021, a desvalorização chega a 27,1%.

A expectativa é que a demanda de minério de ferro e de aço na China siga pressionada no curto prazo pela crise energética no país e pelo menor ritmo de crescimento da economia. A China é a maior importadora da commodity no mundo.


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