Por que o preço da gasolina vendida pela Petrobras é atrelado ao dólar?

O presidente Jair Bolsonaro já questionou mais de uma vez a política de reajustes da companhia, que vincula o preço do combustível nas refinarias à moeda americana

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pontos-chave

  • Especialistas afirmam que a empresa pode ter prejuízo se não seguir as variações da commodity

Após a Petrobras ter anunciado na quinta-feira (5) um lucro líquido de R$ 44,56 bilhões no primeiro trimestre de 2022, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar a política de preços da companhia, que vincula o preço do combustível nas refinarias ao dólar e ao barril de petróleo no mercado internacional. Bolsonaro classificou o resultado financeiro nos três primeiros meses do ano como “um crime inadmissível” e fez um apelo para que a empresa “não implemente um novo reajuste”.

“Eu não posso entender em momento de crise a Petrobras faturar horrores. O lucro da Petrobras é maior com a crise, isso é um crime, inadmissível”, afirmou. “O Brasil, se tiver mais um aumento de combustível, pode quebrar. E o pessoal da Petrobras não entende ou não quer entender. Só estão de olho no lucro. A gente apela para a Petrobras: não reajustem o preço do combustível. Vocês estão tendo um lucro absurdo. O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo. Vocês não podem aumentar mais o preço do combustível”, acrescentou.

Especialistas ouvidos pela Inteligência Financeira explicam que a companhia não tem alternativa. “O petróleo é uma commodity, transacionada no mercado internacional, em dólar, igual no mundo inteiro. A dinâmica é a mesma do minério de ferro, do trigo, da soja e da carne. O produtor não vai vender mais barato aqui do que ele cobra lá fora”, diz o economista e consultor Alexandre Schwartsman.

“Se o barril sobe lá fora, não faz sentido a Petrobras calcular um valor menor. Ela vai ter prejuízo porque também precisa importar derivados do petróleo para fazer o refino”, esclarece Paulo Roberto Feldmann, professor de economia da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo).

Feldmann lembra que a Petrobras já teve no passado uma política de reajustes que não acompanhava a variação da moeda americana. “O resultado foi muito ruim para os negócios da empresa”, afirma. Schwartsman avalia que desassociar o câmbio pode ser prejudicial. “Mata o importador privado, que questionaria a razão de trazer um produto caro para vender mais barato aqui. Pode até provocar um problema de desabastecimento”, comenta. A estimativa do mercado é que o setor privado tem participação em 20% do combustível consumido no Brasil.


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