Petz: por que a ação da petshop virou a queridinha do mercado

Empresa anunciou sua quarta aquisição desde o IPO, fazendo suas ações dispararem

Loja da Petz (Foto: Divulgação)

Antes mesmo de estrear na Bolsa de Valores, em setembro de 2020, a Petz (PETZ3) já atraía muita atenção, já que o modelo de negócio da companhia e o setor se mostravam muito promissores. Mais de um ano depois, os investidores se provaram estar corretos. A empresa chegou a dobrar de valor neste meio tempo, marcado por aquisições e aumento de lojas, receita e lucro.

Aquisições

Na quarta (26), a empresa anunciou sua quarta aquisição desde o IPO, levando suas ações a dispararem: a compra da Petix, líder em tapetes higiênicos para pets no Brasil e dona da marca SuperSecão.

Segundo Luis Nuin, analista da Levante, uma das vantagens da compra é o canal B2B (venda entre emrpesas), visto que a Petix tem como clientes as principais redes do canal pet especializado, além de mais de 8.000 pequenos pet shops e superstores, incluindo a própria Petz, a quem se destina 21% das vendas.

“A Petz pretende explorar essa capilaridade para vender produtos da marca Zee Dog. Além disso, a Petz poderá, ainda, usar a capacidade fabril da Petix para internalizar a produção do produto, o que é bastante
vantajoso, já que, como a produção do Zee Pad é feita no exterior, as margens acabam sofrendo com o
dólar alto e frete caro”, diz Nuin —a Petz comprou a Zee Dog em agosto de 2021. Além da aquisições, a Petz já conta com uma linha própria de produtos.

Além disso, a Petix tem presença internacional, com foco nos Estados Unidos por meio da marca WizSmart, que ganhou mercado com a interrupção da venda de fornecedores chineses durante a pandemia.

“Enxergamos como bastante positiva a aquisição da Petix, que, em nossas estimativas, possui uma
geração de valor implícita de 7%, além de abrir mais uma avenida de crescimento para a Petz”, afirma Nuin.

Diferenciais

Segundo analistas, uma das principais vantagens da Petz é o omnichannel, estratégia do varejo que combina vendas físicas e digitais, de modo a reduzir custos e aumentar a qualidade do serviço.

“O que faz diferença é a qualidade do serviço. A Petz tem uma entrega rápida”, afirma Thiago Macruz, analista do Itaú BBA. A companhia oferece entrega em poucas horas em algumas regiões.

Além disso, o mercado pet segue em expansão. “O Brasil tem a segunda maior população de cães, gatos e aves canoras e ornamentais em todo o mundo e é o terceiro maior país em população total de animais de estimação. O total é de 139,3 milhões de pets [segundo a associação do setor], o que demonstra a força potencial do setor na economia brasileira”, diz Nuin.

Ele aponta também que o comportamento do consumidor mudou, passando a mimar cada vez mais os pets. “Se antes os animais comiam ‘resto do almoço’, hoje há a alimentação natural, livre de transgênicos, balanceada, gourmet. Se antes você tinha quatro marcas de ração, hoje você tem dezenas. A própria BRF saiu de zero para 10% do mercado de ração recentemente.”

“É uma indústria que cresce muito tantos os anos e está muito fragmentada em pequenos varejistas, com poucos competidores nacionais, o que nos faz a ter uma visão bem construtiva [para a Petz]”, afirma Macruz, do Itaú.

De acordo com os analistas afirmam, o setor é resiliente, apesar do contexto macroeconômico desfavorável. “Grande parte da receita é com venda de ração e cada vez mais brasileiros decidem adotar pets. Há muita chance de ganho de market share”, diz Macruz.

Desafios

Segundo Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, um dos desafios da Petz é melhorar sua logística, já que a companhia tem apenas um centro de distribuição, localizado em São Paulo.

Outro ponto de atenção é o crescimento da concorrência direta. “A Petz pode ser vítima de seu próprio sucesso, chamando mais competição. A Cobasi recebeu investimentos do Kinea e há a Petlove, que tem investimento do Softbank”, diz Macruz.

Vale a pena comprar Petz?

Apesar de um P/L de 114, os analistas recomendam a compra da Petz.

“As vantagens são muito maiores que as desvantagens. Hoje esse ativo oferece um prêmio de risco que vale a pena a entrada”, afirma Izac.

“A tese de investimentos em Petz um caso quase que único pra surfar todo esse crescimento que esse mercado deve ter nos próximos anos. De novo, o fato de ser quase que um frontr runner, coloca a Petz numa posição muito privilegiada frente a seus concorrentes. O mercado pet não está nem começando, vem muita coisa pela frente. Não tem avenida de crescimento, tem autoestrada mesmo” diz Nuin, analista da Levante.

O Itaú também indica compra, com um preço-alvo de R$ 30.


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