Petrobras prevê investir US$ 68 bilhões em plano de negócios de 2022 a 2026

O novo plano de negócios é 23% superior ao anterior (2021-2025), que previa um orçamento de US$ 55 bilhões. O segmento de exploração e produção é prioritário, com 84% dos valores

Edifício sede da Petrobras no Centro do Rio (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A Petrobras vai investir US$ 68 bilhões entre 2022 e 2026, dos quais 84% serão direcionados para o segmento de exploração e produção (E&P), de acordo com o novo plano estratégico da companhia, divulgado na noite de hoje. O novo plano de negócios é 23% superior ao anterior (2021-2025), que previa um orçamento de US$ 55 bilhões.

O valor direcionado para a área de E&P soma US$ 57 bilhões, dos quais 67% serão focados em ativos do pré-sal.

“Esta alocação está aderente ao foco estratégico da companhia, concentrando cada vez mais os seus recursos em ativos em águas profundas e ultra profundas, onde tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos”, afirmou a estatal.

Os ativos em áreas profundas e ultra profundas passarão a representar 92% da produção total da companhia já em 2022, chegando a 100% em 2026. Para 2022, no entanto, a companhia reduziu a meta de produção de 2,3 milhões de barris de petróleo por dia (barris/dia) para 2,1 milhões de barris/dia.

De acordo com a empresa, a meta foi revisada principalmente em função dos impactos relacionados à pandemia e dos desinvestimentos ocorridos no final de 2021. Ao fim do horizonte do plano, a companhia espera ter uma produção de 2,6 milhões de barris/dia.

O volume leva em consideração a entrada em operação de 15 projetos de plataformas no período, das quais nove serão afretadas e seis serão da própria companhia. No planejamento estratégico anterior (2021-2025), a previsão era de 13 novas unidades.

A empresa informou que a meta de redução da dívida bruta da companhia foi excluída do novo plano de negócios. O planejamento anterior previa uma meta da dívida bruta de US$ 60 bilhões em 2022, mas a estatal conseguiu antecipar o atingimento do compromisso no terceiro trimestre deste ano.

A petroleira esclareceu que, “visando manter os incentivos para uma boa gestão da alavancagem”, a empresa considerará a manutenção do endividamento bruto abaixo de US$ 65 bilhões como gatilho da métrica de topo Delta EVA.

O EVA significa valor econômico adicionado. Trata-se de uma ferramenta de gestão que permite identificar a efetiva criação de riqueza de uma empresa.

A estatal trabalha com um delta (variação) do EVA consolidado de US$ 2 bilhões como uma das três métricas de topo do plano da empresa.

Projetos

A companhia informou que retomou, no plano de negócios 2022-2026, o projeto de águas profundas de Sergipe. A previsão da empresa é instalar uma nova plataforma no litoral sergipano em 2026.

O projeto contempla uma plataforma com capacidade para 120 mil barris/dia e a implantação de um novo sistema de escoamento de gás com capacidade de 18 milhões de metros cúbicos diários. O gasoduto está em fase de planejamento e a sua operação não está prevista para ocorrer no horizonte do plano.

As outras novidades do planejamento estratégico são as plataformas P-80 e P-82, a nona e a décima plataformas de Búzios, no pré-sal, também previstas para 2026.

O novo plano também faz alguns ajustes no cronograma de projetos: a plataforma do projeto Mero 1 foi adiada de 2021 para 2022 e Búzios 5 de 2022 para 2023.

Desinvestimentos

A Petrobras pretende também levantar de US$ 15 bilhões a US$ 25 bilhões com desinvestimentos entre 2022 e 2026.

De acordo com a companhia, a venda de ativos vai contribuir para melhorar a eficiência operacional, o retorno sobre o capital e a geração de caixa necessária para manter a dívida em patamar adequado, além de apoiar as melhores oportunidades de investimento.

“A gestão ativa [de portfólio] permite que a Petrobras foque nos ativos que têm potencial para elevar o retorno esperado do portfólio de forma sustentável”, afirmou a empresa.

Em paralelo, a estatal pretende ampliar o foco em descarbonização, com projetos que vão receber US$ 1,8 bilhão em investimentos nos próximos cinco anos. O valor inclui iniciativas de descarbonização das operações, como separação de carbono, sistemas de detecção de metano e projetos de redução de carbono nas refinarias, dentre outras.

Segundo a petroleira, a maioria das iniciativas é relacionada à otimização da produção e à eficiência operacional, o que vai gerar reflexos na redução das emissões.

Além disso, no novo plano de negócios a Petrobras afirmou que está avançando na análise de possíveis novos negócios que possam reduzir a exposição e a dependência das fontes fósseis e, ao mesmo tempo, sejam rentáveis.

A companhia vai criar uma governança de aprovação para entrada em novos negócios focados em diversificar o portfólio, com prioridade para negócios relacionados ao segmento de energia ou de novos produtos que não estejam previstos no atual plano estratégico.

No plano atual, de acordo com a Petrobras, não há previsão de investimentos para diversificação rentável de negócios em novas energias.

Refino

A Petrobras voltará a investir no aumento da capacidade de refino, com a inclusão no plano da conclusão da segunda unidade da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco. O projeto prevê investimentos de US$ 1 bilhão e vai possibilitar a ampliação da produção da refinaria de 115 mil para 260 mil barris por dia em 2027.

A Rnest chegou a ser incluída no programa de desinvestimentos da estatal, mas não recebeu propostas vinculantes. Em agosto, a Petrobras informou que os interessados no processo declinaram formalmente de apresentar proposta vinculante pelo ativo e que a companhia avaliaria os próximos passos.

Os investimentos no segundo trem da Rnest foram retirados do plano de negócios da Petrobras ao final de 2019, quando a empresa optou por incluir a refinaria nos desinvestimentos.

Dividendos

A petroleira prevê distribuir entre US$ 60 bilhões e US$ 70 bilhões em dividendos entre 2022 e 2026. Desse total, a estimativa é que entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões sejam pagos à União, acionista controlador da empresa.

A estatal anunciou uma revisão na política de remuneração aos acionistas. As novas regras definem que o pagamento de dividendos deverá ser feito trimestralmente e estabelecem um pagamento mínimo anual de US$ 4 bilhões para exercícios em que o preço médio do barril do tipo Brent for superior a US$ 40.

Já no caso em que a dívida bruta for igual ou inferior a US$ 65 bilhões e houver resultado positivo acumulado, a serem verificados no último resultado trimestral, a companhia distribuirá aos acionistas o equivalente a 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos, desde que não comprometa a sustentabilidade financeira da empresa. Na política anterior, essa fórmula só seria praticada se a dívida fosse mantida abaixo de US$ 60 bilhões.


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