Para onde vai o minério? Veja quais são as perspectivas para ações da Vale

A mineradora brasileira ficou barata em relação aos seus pares internacionais; o que esperar das ações da Vale agora?

Lucro dos bancos privados subiu 7,8% no primeiro trimestre de 2022 (Foto: Pixabay)

Os dias de preço recorde do minério de ferro parecem ter chego ao fim. Mesmo uma eventual flexibilização monetária chinesa, como aventado pelo banco central da China (PBOC, na sigla em inglês) nesta segunda-feira (22), não traria a commodity de volta aos patamares acima US$ 200 por tonelada vistos em maio deste ano, dizem especialistas.

A crise provocada pelos problemas de liquidez da Evergrande, combinada à desaceleração chinesa, provocou uma queda de 63% do minério desde então, para US$ 87 a tonelada. As mineradoras e siderúrgicas acompanharam o movimento e afundaram. A Vale cai 69% no mesmo período, a R$ 67,59 cada ação segundo fechamento de segunda.

Apesar de relativamente baratas, essas empresas não estão tão atrativas no momento dado que a expectativa não é de recuperação dos preços do minério.

“Vemos US$ 74 como um preço de equilíbrio para o minério em 2024. Em 2022, ele deve ficar entre US$ 85 e US$ 100”, afirma Rodrigo Crespi, analista da Guide. Apesar do cenário de queda da commodity no longo prazo, a corretora recomenda compra para a Vale, com preço-alvo de R$ 80 .

A mineradora brasileira ficou barata em relação aos seus pares internacionais, que também caíram recentemente com a desvalorização do minério. Segundo Crespi, a relação P/L da Vale está em 4,1x e o da concorrente anglo-australiana Rio Tinto, em 7,1x. “Há um desconto pela questão política do Brasil, mas o maior desconto é em relação às tragédias de Mariana e Brumadinho, pelo desgaste na imagem”, afirma o analista.

“A Vale geralmente negocia 3x P/L nos ciclos de baixa do minério. E ela está cerca de 10% abaixo disso no momento”, diz Jorge Junqueira, sócio e chefe da área de análise da Gauss Capital.

A XP também recomenda a compra de ações da Vale, com preço-alvo de R$122 por ação “com base na combinação de forte geração de caixa e valuation atrativo, mesmo num cenário de realização nas cotações do minério de ferro”, diz a corretora.

Outro motivo citado como atrativo por especialistas é o novo programa de recompra de ações anunciado pela mineradora, que pode chegar a até 4,1% do número total de ações em circulação em 18 meses —programas de recompra tendem a valorizar as empresas. 

Junqueira, da Gauss, recomenda o investimento em debêntures participativas da empresa, que têm remunerações semestrais com base no faturamento líquido de certas áreas de exploração, e é menos arriscada que uma ação.

“Acreditamos na estabilidade do minério e as empresas devem acompanhar esse movimento, podendo se beneficiar. O patamar de antes não deve voltar, foi uma oscilação exagerada”, afirma Junqueira.

Para quem já tem ações da Vale na carteira, o recomendado pelos especialistas é esperar para vender com lucro no longo prazo. Também é possível adquirir mais ações da mineradora para reduzir o preço-médio da posição. Apesar das recomendações de compra e do valuation atrativo, o setor é o dos preferidos pelos analistas, que veem as siderúrgicas como mais resilientes.


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