Nubank reduz preço de ação para viabilizar IPO em NY

Banco digital reduziu preço-alvo de seus papéis do intervalo de US$ 10 a US$ 11 para US$ 8 e US$ 9; agora, arrecadação esperada é de US$ 2,8 bi

Sede do Nubank, em São Paulo (Foto: Divulgação)

O Nubank atualizou há pouco o seu prospecto de IPO à SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. O plano da empresa é lançar ações nos Estados Unidos e, no Brasil, negociar BDRs – papéis vendidos por meio da B3 que representam aqui as ações lançadas no exterior.

O banco digital confirmou, por meio de seu blog, que reduziu o intervalo de preço do IPO. A faixa indicativa, originalmente entre US$ 10 e US$ 11, foi cortada em 20% para um range entre US$ 8 e US$ 9. No contexto da oferta aqui no Brasil, o banco digital estima que o preço por BDR estará situado entre R$7,45 e R$8,38.

Os valores da faixa indicativa dos BDRs foram convertidos de dólares para reais de acordo com a taxa de câmbio vigente e ajustados considerando a proporção de 6 BDRs para cada Ação Ordinária Classe A. No entanto, colocou o banco digital em nota, “fica ressalvado que o preço por ação ordinária Classe A poderá ser fixado acima ou abaixo da faixa indicativa das ações ordinárias Classe A e, consequentemente, o preço por BDR também poderá sofrer variação”.

O preço de lançamento do IPO é formado a partir da demanda dos investidores. Esse processo, conhecido como bookbuilding, é construído ao longo da fase em que a empresa é apresentada para os grandes investidores (institucionais).

Os motivos por trás da redução no preço-alvo dos papéis do Nubank são distintos. Há o cenário macroeconômico, que joga contra a empresa, pois a perspectiva para os juros nos principais mercados globais é de alta, inclusive nos Estados Unidos. Significa que o custo de capital, o dinheiro mesmo, fica mais caro. O setor de tecnologia é intensivo em capital. Portanto, tende a ficar mais caro financiar o crescimento do Nubank daqui para a frente.

Existem também questionamentos do mercado sobre os modelos de concessão de crédito de bancos digitais e fintechs. No caso do Nubank, a inadimplência de seu principal produto, o cartão de crédito, é de 3,3%, abaixo da média nacional (4,8%). Mas problemas como os da concorrente Stone com financiamentos acenderam um alerta junto a investidores, analistas e gestores.

Soma-se a este contexto os temores com relação a variante ômicron do coronavírus, que pode desacelerar a economia global.

Com a redução de preço anunciada pelo Nubank nesta manhã, o IPO agora movimentaria US$ 2,8 bilhões se a oferta sair no topo da faixa, o que indicaria que a demanda pelo IPO do banco digital foi grande. No ponto médio da faixa indicativa de preço, o Nubank levantaria US$ 2,7 bilhões.

Com Valor Econômico e agências.


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