Múltiplo de banco com olhar digital é maior

Métrica adotada em estudo da Accenture leva em conta a relação entre o preço das ações e o valor contábil

Agência bancária do Banco do Brasil (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Bancos com foco digital são, em média, 18% mais bem avaliados pelo mercado que seus concorrentes menos digitalizados, segundo estudo global da consultoria Accenture. A métrica leva em conta a relação entre o preço das ações e o valor contábil.

No entanto, apenas 6% das instituições financeiras consideram estar no último estágio de maturidade operacional baseada no uso de tecnologia. Esse patamar, chamado na pesquisa de “future-ready” (preparado para o futuro, em tradução livre), é definido como aquele em que a empresa já integrou em seu dia a dia inteligência artificial (IA), nuvem e blockchain, e os processos são digitalizados de ponta a ponta. A IA é utilizada para analisar uma grande diversidade de dados.

“Houve [nos últimos anos] um esforço de oferecer um ecossistema digital para o consumidor, mas entre os incumbentes o sistema não é tão fácil de fazer”, analisa João Carlos Santos, diretor da Accenture na América Latina.

Para o executivo, ainda há muito a ser feito em termos de tecnologia nas áreas não tão visíveis das instituições financeiras. “Os grandes bancos estão separados em silos e produtos. Não adianta a conta digital ser extremamente rápida se perco a compra de um imóvel pela demora no crédito imobiliário ou se o cartão demora muito a chegar”, diz.

Apesar dos desafios, investir em digitalização pode ser bom para os bancos porque tende a gerar retornos mais altos. Usando dados do S&P Capital IQ, a Accenture dá um exemplo: se todas as empresas melhorassem uma etapa tecnológica, a lucratividade global capturada pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) poderia aumentar em até US$ 1,9 trilhão (avanço de 17%).

Em evento organizado pela Fitch na semana passada, o líder de ativos especiais do BTG Pactual, Marcelo Fiorellini, disse que não é possível ser um competidor efetivo na concessão de crédito se não houver integração de todos os processos em tecnologia desde o “back office” (as áreas de apoio da instituição). “Isso é uma tendência que tende a prevalecer. São fintechs emergindo de grandes empresas”, afirmou.

Para Santos, da Accenture, as fintechs tomaram a dianteira no processo de atualizar digitalmente os negócios do setor financeiro porque tiveram a oportunidade de “nascer conceitualmente com o pensamento na tecnologia”.

Considerando que os bancos tradicionais não têm a mesma velocidade de manobra que as fintechs por terem estruturas e negócios muito tradicionais, o executivo diz que uma possibilidade para agilizar as inovações é usar soluções já disponíveis no mercado. “Há muitas empresas oferecendo soluções prontas.”

Para que isso ocorra, entretanto, Santos vê a necessidade de quebra de alguns paradigmas, como a resistência dos bancos em fornecer informações ao mercado. Segundo ele, o open banking vai ajudar porque “a obrigatoriedade de só serem usados softwares proprietários foi quebrada”.

A pesquisa da Accenture foi conduzida pela Oxford Economics e realizada em 2020 com 1,1 mil executivos, dos quais 44% estavam na alta diretoria e equivalentes, de 13 indústrias em 11 países. Foram 50 entrevistas na Alemanha, o mesmo número em Brasil, Canadá, China, Espanha, França e Itália, 125 em Austrália, Japão e Reino Unido e 375 nos Estados Unidos.


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