Empresário desiste de comprar ITA Transportes Aéreos

A companhia suspendeu as operações em dezembro, perto das festas de fim de ano, deixando milhares de clientes sem viajar

Foto: Divulgação

A viação Itapemirim, que está em recuperação judicial, informou ontem nos autos do processo de RJ que o empresário do ramo imobiliário, Galeb Baufaker Junior, que iria comprar a ITA Transportes Aéreos desistiu do negócio. A venda da aérea, anunciada há menos de um mês, levantou muita polêmica.

“Existia um pretenso comprador para a ITA, porem o mesmo desistiu devido a grande insegurança jurídica (palavras do comprador)”, escreveram os advogados da Itapemirim no documento enviado à corte de falência.

Em uma outra notificação, que o Valor teve acesso, Baufaker defendeu a rescisão do contrato, mas deixou em aberto uma janela para negociar novamente o ativo após a assembleia de credores.

O fim das tratativas por enquanto seria um reflexo da decisão da Justiça de bloquear e indisponibilizar o patrimônio de Sidnei Piva, dono da Itapemirim. Tal bloqueio, segundo os advogados de Baufaker, traria uma grande insegurança jurídica ao negócio. “Por fim, informamos que, após a realização da assembleia de credores, retomaremos as negociações”, disse a equipe de Baufaker no documento. Ainda não há uma data definida para a assembleia.

O empresário deu uma entrevista exclusiva ao Valor logo após o anúncio do negócio. Baufaker não tem experiência no setor de transporte aéreo, tradicionalmente conhecido por margens apertadas.

Apesar de alegar insegurança jurídica, já era sabido que a tentativa de comprar a ITA, assim como o ITA Bank, seria complexa. Baufaker assumiria um passivo estimado em R$ 180 milhões, que abraça pendências trabalhistas e com credores, multas e processos. Também haveria o compromisso de devolver R$ 35 milhões à Itapemirim — no ano passado credores da Itapemirim reclamaram que Piva estava tirando dinheiro do caixa da viação para bancar a companhia aérea. Quando decidiu criar a ITA, em meados de 2021, Piva disse que tratava-se de uma empresa separada da Itapemirim.

Mesmo demonstrando interesse em comprar o ativo, o financiamento do negócio não parecia estar 100% fechado. Na primeira entrevista ao Valor, Baufaker disse que teria uma linha de crédito de aproximadamente R$ 110 milhões com dois bancos brasileiros, usando como garantia um terreno em Gama, município vizinho a Brasília às margens da DF-180.

Em uma segunda entrevista ao Valor, dois dias depois, disse que a linha de crédito, já garantida, era de R$ 32 milhões. O executivo não apresentou documentos que comprovem as tratativas.

Também disse estar próximo de receber um empréstimo de R$ 250 milhões contraído com dois bancos americanos. Questionado, disse que não podia divulgar os nomes, “mesmo sendo 99% de certeza [de liberação do recurso]”.

A promessa de recursos cuja fonte não é informada também marcou o início da ITA. Piva criou a aérea em meados do ano passado alegando ter recebido investimento de US$ 500 milhões de dois fundos árabes — nunca informou os nomes. Chegou a dizer que usou parte do dinheiro, mas um tempo depois afirmou que o acordou fracassou e que o dinheiro não estava mais disponível.

O Ministério Público de São Paulo pediu que a aérea fosse incluída no processo de recuperação judicial da Itapemirim e que fosse decretada a falência das duas empresas. A EXM Partners, administradora judicial da recuperação da Itapemirim, demandou por diversas vezes o contrato de venda, mas a solicitação não foi atendida. A EXM alega que qualquer tipo de venda de ativo do grupo teria de passar por aprovação dos credores.

Piva foi afastado do controle da Itapemirim no final de fevereiro deste ano. Em 17 de março conseguiu voltar, após decisão da 1º Vara de Falências do TJ-SP. Conforme o contrato assinado entre Piva e Baufaker, a que o Valor teve acesso, o negócio foi fechado em 21 de março, um dia antes de o executivo ser novamente afastado — decisão que se mantém.

A ITA suspendeu as operações em dezembro, perto das festas de fim de ano, deixando milhares de clientes sem viajar. A própria Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) terá de autorizar novamente a empresa a voar.

A Itapemirim e Baufaker foram procurados, mas não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.

Com conteúdo VALOR PRO, o serviço de informação em tempo real do Valor Econômico


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