Como o mercado avalia o risco de interferência política na Petrobras

Pressão levou à renúncia de José Mauro Coelho da presidência companhia

Petrobras: como fica as ações da Petrobrás, que é de capital misto, em ano eleitoral? Melhor vender esses papeis? Ou compra mais? Baseado em eleições passadas, o que acostuma acontecer? Depois de novembro, o cenário para elas muda completamente?

A renúncia do atual presidente da Petrobras era esperada pelo mercado, e pode antecipar o início da nova gestão da companhia, que será mais conservadora na aplicação de reajustes de preços de derivados, diz a Ativa Investimentos, em relatório.

Segundo a corretora, a saída de José Mauro Coelho pode abaixar a pressão extra-corporativa que vem se registrando sobre a companhia nas últimas semanas e tomou maior proporção na sexta-feira, quando propostas como a tributação de exportação de petróleo e a abertura de uma Comissão Parlamentar de inquérito (CPI) foram citadas.

A Ativa destaca que, mesmo com os aumentos anunciados sexta-feira e aplicados no sábado para a gasolina e o diesel, o preço praticado pela petrolífera em suas refinarias ainda está abaixo do visto internacionalmente e deverá continuar apresentando relativo grau de defasagem durante a próxima gestão.

“Reforçamos nosso entendimento quanto a atratividade da avaliação atual da companhia mesmo diante da atual conjuntura e acreditamos que uma normalização do cenário deve amenizar as pressões sofridas pela ação da companhia nos últimos dias.”

A Ativa Investimentos tem recomendação de compra para as ações preferenciais da Petrobras, com preço-alvo de R$ 41, potencial de alta de 53,5% ante o valor de R$ 26,71 negociado na manhã de segunda-feira na B3.

Escrutínio político aumenta

Os últimos aumentos dos preços da gasolina e do diesel pela Petrobras provocaram novos ataques a empresa por vários membros do governo e qualquer pressão futura para aumentar os preços de combustíveis enfrentará grande resistência do governo entre agora e o dia das eleições, diz o BTG, em relatório.

Os analistas Pedro Soares e Thiago Duarte escrevem que a situação ainda é fluida, destacando que a proposta de alta de imposto para o setor e de impostos à exportação de petróleo, mencionadas no fim de semana, têm impactos para a Petrobras deve ter efeitos para o setor de óleo e gás.

A proposta do presidente da Câmara, Arthur Lira, de dobrar o imposto sobre o lucro líquido (CSLL) para financiar um subsídio de combustível não seria exclusivo da Petrobras, pois teria de ser aplicado a todo o setor, dizem os analistas, levando a reduções no lucro líquido da Petrobras, PetroRio e 3R Petroleum, dizem os analistas.

Segundo eles, caso o projeto seja aprovado, só começaria a ser coletado três meses após a aprovação, o que significa que dificilmente afetaria os consumidores pré-eleições, reduzindo seu apelo ao Congresso.

Outra proposta em discussão, escrevem os analistas, de um imposto de exportação, reduziria a paridade de preço de exportação de petróleo do Brasil, levando os preços domésticos a convergir para níveis mais baixos, reduzindo lucros das petrolíferas, em uma medida sem precedentes, mas com implementação mais rápida e assim com algum apoio devido à crescente pressão sobre margens mais altas das companhias de petróleo atualmente.

O BTG tem recomendação neutra para Petrobras, com preço-alvo em R$ 42 para ações preferenciais, potencial de alta de 57,24% frente o valor de R$ 26,71 negociado na manhã de segunda-feira na B3.

Temores sobre independência

A nova rodada de aumento de preços de combustíveis pela Petrobras gerou fortes reações políticas e levantou, novamente, temores sobre sua independência para fixar os preços dos combustíveis, de acordo com a XP, em relatório.

“Podemos dizer que a Petrobras está ‘não apenas’ protegida contra interferências pelo seu estatuto e pela ‘lei das empresas estatais’, mas também de limites físicos. A escassez de combustíveis é ainda mais impopular do que os altos preços dos combustíveis”, escreve o analista Andre Vidal.

Segundo ele, dois temores dos investidores em relação à Petrobras estão no radar: subsidiar combustíveis ou estouros de orçamento dos investimentos. Vidal diz que os riscos aumentaram, tanto internacionalmente com a recessão global quanto internamente devido à interferência política. “No entanto, negociando a 1,7 valor de firma sobre Ebitda em 2022, a Petrobras continua sendo uma aposta assimétrica”, afirma.

O analista escreva ainda que, mesmo se pensarmos em um cenário de estresse para a Petrobras, com preços abaixo da paridade de importação, estouros de orçamento de investimento e alíquota de imposto de renda mais alta, chegaríamos a um preço alvo de R$ 31,30 por ação ordinária e preferencial, ainda superior aos preços de mercado atuais.

Com relação ao setor de óleo e gás, o analista diz que os investidores agora estão mais preocupados que uma desaceleração econômica possa mudar os mercados de petróleo e gás de pouca para muita oferta.

Ele afirma ver tendências positivas de demanda, com consumo ainda 1% abaixo dos níveis pré-pandemia; demanda do segundo trimestre atingida por restrições severas na China; padrão sazonal de maior consumo global no terceiro trimestre; e a reconstrução de estoques estratégicos de petróleo. Por outro lado, muitas dúvidas permanecem sobre altas futuras na oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Rússia e Estados Unidos.

A XP tem recomendação de compra para Petrobras, com preço-alvo de R$ 47,3 para as ações ordinárias e preferenciais, potencial de alta de 72% contra o valor negociado no fim da manhã na B3, e preço-alvo de US$ 18,9 para ADRs, potencial de alta de 62,8%.

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