CEOs contam o que fazem para desconectar

Executivos e executivas explicam como lidaram com a ansiedade no segundo ano de pandemia

Foto: Vladimir Kudinov/v

Não foram poucos os desafios para os CEOs no último ano. A pandemia demandou uma nova forma gerir pessoas, como trouxe à tona as fragilidades da alta liderança. Para sustentar uma cultura que, em muitos casos, deixou de ter o escritório como ponto de contato e dar conta de desafios de negócios sem precedentes, muitos CEOs precisaram olhar para dentro, desenvolver novas habilidades no isolamento e atentar-se mais à saúde mental – própria e dos times. “Era um tabu falar de segurança psicológica antes da pandemia. Você podia quebrar a perna e não ir trabalhar, mas não podia dizer que estava triste e não tinha condições de ir”, disse Ana Paula Pessoa, presidente do conselho do Credit Suisse no Brasil.

A executiva não abriu mão durante o isolamento e os momentos pandêmicos mais difíceis “de momentos apenas seus”. “O que sempre fiz, que um chefe meu costumava dizer, é me incluir na agenda. Abrindo espaço para horas que fossem só minhas, que não eram do trabalho, dos meus filhos ou do marido. Na pandemia, pratiquei ioga on-line, e isso foi fundamental para conhecer melhor meu corpo, entender onde estão muitas das minhas tensões. Juliana Azevedo, CEO da P&G no Brasil, também diz que adicionou a ioga em sua prática de exercícios para aliviar o crescimento da ansiedade na pandemia. Também adicionou exercícios de postura para dar conta da rotina do home office e, aproveitando que passou mais tempo em casa, instalou uma mesa de pingue pongue na sala para se divertir com a família.

Rodrigo Funari, CEO da Alpargatas, diz que buscou na meditação uma ferramenta para lidar com uma ansiedade forte, desencadeada por perdas e traumas que vivenciou na pandemia. “Tem sido um grande alimento para minha alma e saúde mental”. A meditação também foi um mecanismo buscado por Altair Rossato, CEO da Deloitte no Brasil, para se sentir um pouco mais feliz no trabalho. “Pratico a meditação transcendental por 22 minutos toda manhã e final de tarde. O dia que não faço me sinto mais ansioso”. Além disso, ele investiu tempo em hobbies como pinturas à óleo, lembrando o ofício do pai, que era restaurador.

Alguns líderes buscaram aliviar essas tensões retomando antigas paixões do esporte. Fábio Coelho, CEO do Google no Brasil, voltou a pegar onda, procurando um contato mais próximo com o surf após três décadas distante. “Passei a investir uma semana do meu mês na Bahia e trabalhar de Trancoso. O dia começa cedinho com o trabalho, depois vou andar na praia e surfar. Você fica exposto ao imponderável do mar, das correntes e das marés”.

Já Eric Santos, CEO da RD Station, disse que começou a levar o kart mais a sério. Hoje, se define como um piloto, participando de competições nacionais e afirmando que a corrida é sua terapia. “Quando vou para lá eu brinco que não posso pensar em nada porque se não, eu bato”. O kart é sua válvula de escape, conta. “A questão da saúde mental é um tópico que apareceu muito no último um ano e meio nas conversas com meus liderados e a orientação que eu dava é: ache a sua válvula”.

Pablo Fava, CEO da Siemens, disse que com a pandemia deixou de praticar esportes coletivos, como vôlei e futebol, mas manteve a corrida diária na rua para “pensar e refletir”. Também abriu espaço para um novo hobbie: comprou uma moto e passou a integrar um grupo com a mesma afinidade. Agora, tem novas metas pessoais. “Eu já me propus a fazer uma viagem de moto para o Sul da Argentina, mas não é fácil e exige preparação. Então isso pode ocorrer daqui a 5 anos, 10 ou até quando me aposentar. O que importa, em termos de inteligência emocional, é se manter ativo e ter um projeto pessoal”.


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