Analistas dizem que resultados do Nubank foram positivos, mas ação cai quase 10%

As ações caem forte nesta quinta-feira, depois de subirem bem ontem, após a divulgação do primeiro balanço como empresa aberta em bolsa

Sede do Nubank, em São Paulo (Foto: Divulgação)

O Nubank divulgou na noite de ontem seu primeiro balanço como companhia aberta, e superou as previsões, tanto em lucro ajustado como em conquista de novos clientes. Analistas apontam que, no geral, os resultados foram bons, apesar de alguns pontos de atenção. Ainda assim, as ações caem forte hoje, depois de subirem bem no after hours ontem.

O Nubank registrou um lucro líquido ajustado de US$ 3,2 milhões no quarto trimestre de 2021, o que representa uma queda de 79,75% sobre o número do mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, o lucro ajustado chegou a US$ 6,6 milhões, revertendo um prejuízo de US$ 26,8 milhões em 2020.

Já a base de clientes da fintech alcançou 53,9 milhões, em um crescimento de 61,86% na comparação anual. Só no quarto trimestre a instituição conquistou 5,8 milhões de clientes. A receita do Nubank no período totalizou US$ 635,9 milhões, em alta de 213,87% ante igual período de 2020.

Para o Goldman Sachs, os resultados foram bons, com destaque para a adição de clientes, melhor taxa de ativação (76%, de 73% no terceiro trimestre) e o crescimento geral da receita. “A qualidade dos ativos permaneceu saudável, com a inadimplência subindo 0,10 ponto, enquanto o custo do risco aumentou devido ao registro antecipado de provisões, levando a um aumento de 10 pontos no índice de cobertura, para 240%.”

Eles apontam ainda a administração da companhia espera crescimento contínuo da carteira de crédito, uma vez que sua subscrição é geralmente conservadora do ponto de vista da inadimplência. “O forte crescimento dos empréstimos deve continuar pressionando as margens de lucro bruto, já que as provisões são registradas antecipadamente, mas as margens devem subir à medida que as taxas de crescimento se normalizam ao longo do tempo.”

Já o Itaú BBA diz que os resultados foram mistos. Enquanto a margem financeira acelerou o crescimento da receita, com a carteira em alta e a inadimplência sob controle, a receita de serviços ficou aquém do esperado e as despesas aceleraram. “Os resultados não mudam nossa visão cautelosa sobre a ação. Esperava-se que as receitas melhorassem este trimestre e elas terminaram um pouco abaixo das previsões. Os desafios cíclicos e estruturais que acreditamos justificar o valuation da companhia pareciam estar presentes durante o trimestre.”

A Guide diz que, apesar de o resultado ajustado ter superado as previsões, o número líquido ficou negativo. “Os números reportados pelo Nubank vieram em linha com o esperado pelo mercado, com resultado líquido ainda em campo negativo. Ainda que tenha tido um aumento expressivo no número de clientes e marginal redução de custos, o Nubank mostra dificuldade na passagem por cenários econômicos adversos, exprimido pelo aumento da taxa de inadimplência e dos custos financeiros causados pela remuneração de depósitos PF.”

Os analistas do J.P. Morgan dizem que o aumento das provisões não parece motivado por uma expectativa de piora na qualidade dos ativos. “Tudo incluído, enquanto os ganhos vieram abaixo do previsto, sentimos que a maior parte da diferença foi motivada por provisões mais altas, sem piora da qualidade dos ativos, e crescimento e engajamento, que os investidores valorizam, parecem permanecer altos.”

Já o BTG ressalta que a estratégia de continuar crescendo a carteira, em linhas arriscadas, em um cenário de deterioração econômica é “muito corajosa, para dizer o mínimo”.

Por volta das 12h15, as ações do Nubank caíam 9,72%, a US$ 7,95, na Bolsa de Nova York. Ontem, logo após a divulgação do resultado, elas chegaram a subir quase 10% no after hours. Desde o IPO, em 8 de dezembro, quando foi precificado a US$ 9, o papel cai 11,7%.

Com Valor Pro, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.


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